VISUAIS - Todos os matizes
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segunda-feira, 14 de junho de 2004
Equipe da Folha 
Curitiba - Vinte pinturas sobre lona e sobre tela compõem a exposição individual de Mazé Mendes, batizada por ''Matiz''. A exposição vai rodar por Curitiba, Belo Horizonte e Brasília. O vernissage será na quinta-feira, 17 de junho, na galeria Noris. Mazé também vai autografar um livro de 82 páginas que reúne poema de José Oliva, crítica de Fernando Bini e imagens de fotógrafos paranaenses como Nego Miranda, Ricardo Almeida e Gogo das obras atuais e da mostra ''Impressões Caligráficas'', a última mostra individual de Mazé, datada de 2000, no Museu de Arte Contemporânea (MAC).
Mazé vem conciliando a vida de pintora, mãe e professora na Faculdade de Artes do Paraná. ''A artista fica nesse turbilhão, nem eu sei como consigo fazer todas as coisas as quais me proponho'', observa, lembrando que, depois de uma fase de contestação (anos 70, data de suas primeiras exposições), está mais preocupada com a própria pintura e tenta ''retratar a linha da vida.''
Expondo desde 1977, há três anos ela fez individual em São Paulo (Galeria Hebraica), e suas mostras mais recentes foram compartilhadas em 2003, com Fernando Velloso e Adriana Brezinski e, neste ano, na Casa Andrade Muricy, com Guilmar Silva e Marcelo Conrado. ''Em 'Matiz', estou muito light. A pintura está mais racional, limpa. Eu ainda pretendo tirar dessa matriz uma pintura mais visceral, mais matérica, mas acho que ainda não veio este momento'', diz Mazé.
''A idéia do catálogo surgiu para documentar 'Impressões Caligráficas', mostra constituída por pinturas de grandes dimensões que eu não pude na época registrar, e assinalar sua continuidade, que se dá em 'Matiz'', conta a artista. Mazé obteve apoio da Lei de Incentivo à Cultura para também levar sua obra para fora do Estado.
Por que ''Matiz''? A escolha é porque ''trabalho com a cor em seus diversos tons, ainda que eu goste muito de trabalhar com preto e branco''. Como se desenhasse com pincel, como bem observa Fernando Bini que compara a obra de Mazé com palimpsestos (texto se dá a ver através de um outro, de forma velada).
''Se nos anos 70 o poético da sua obra velava o político, enquanto procurava uma humanidade que estava se extinguindo, agora os palimpsestos velam, mas também desvelam a sua memória'', diz Bini, para quem ''a obra de Mazé Mendes é precisa na qualidade de execução da pintura, de organização da tela: nada é por acaso ou gratuito''. Observa, no entanto, a presença do mistério: ''mas é vaga no que quer voluntariamente nos deixar adivinhar, nos deixar procurar ou no que quer evocar sem nos deixar encontrar''.
Matiz divide-se entre cores dispostas na horizontalidade e na verticalidade. São, poetiza José Oliva em ''Maticidade'', ''retidões incendiando...'', ''geometrias perdidas exorcizando a precisão'', ''rimas tecidas por traços, gestos e cor''.
Serviço:
- Vernissage, das 19 horas às 23 horas, de quinta-feira, dia 17, na galeria Noris (Al. Princesa Isabel, 899, telefone 0xx41-2254963 [email protected]). Visitação até 3 de julho, de segunda a sexta das 13 horas às 19 horas e aos sábados das 10 horas às 13 horas.


