Curitiba - As regras mudaram. A partir de agora, o tradicional Salão Paranaense, que já está na sua 61 edição, passa a ser bienal e a maior parte dos artistas será indicada por governos dos países do Mercosul e pelos curadores do evento, que vão indicar outros dez artistas nacionais. Apenas dez artistas plásticos terão seus trabalhos selecionados entre os inscritos. Todos os 26 participantes escolhidos receberão R$ 7,5 mil cada um, sem categorias e colocação específica. Esta é a edição mais cara do Salão Paranaense. O governo do Estado reservou R$ 300 mil para a realização do evento, organizado pelo Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Curitiba.
O diretor do MAC, Jair Mendes, lembra que desde que o salão um dos mais antigos do Brasil existe, foram pouquíssimas as alterações feitas em seu regulamento. ''Com certeza, essa é a mais siginificativa'', ressalta. Para ele, as mudanças instituídas seguem uma tendência universal. ''Com as novas manifestações artísticas da arte contemporânea fica impossível realizar um salão anualmente. Tanto os curadores precisam de tempo para analisar as obras, como os artistas para produzí-las'', opina. Mendes salienta ainda que não existe mais como classificar os trabalhos em categorias específicas, já que uma das características registrada é a utilização de vários suportes numa mesma obra de arte.
''Este ano, todos os participantes receberão uma premiação'', lembra o diretor do MAC. Serão três segmentos: artistas convidados; artistas com participação espontânea (selecionados entre os inscritos) e seis artistas convidados dos países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai). Além do prêmio de participação, todos os artistas de fora de Curitiba receberão passagem e hospedagem gratuita durante a abertura do salão, que acontece em dezembro.
Além disso, no dia seguinte à abertura do 61º Salão Paranaense, será realizado o Seminário de Análise Crítica da Arte Contemporânea, com a participação de todos os selecionados. ''Acho isso mais importante que a premiação, já que é uma oportunidade de 'lavar roupa suja''', diz Mendes. Para ele, isso deve aumentar o número de inscritos. Só em 2003 foram registrados mais de 2 mil inscrições no evento, que teve orçamento de R$ 180 mil.
Mas alguns jovens artistas, premiados em salões anteriores ou que apenas se inscreveram não estão vendo as mudanças com bons olhos. Cleverson Salvaro, 25 anos, foi premiado com a obra ''E então eles se esconderam'', no Salão de 2001 e está numa fase de visibilidade. Foi citado até mesmo pela curadora do projeto Rumos Itaú Cultural 2005/2006, que vem a Curitiba em busca de novos talentos como um artista promissor, além de já ter sido premiado em outros salões nacionais. Ele diz não compreender - e não concordar - com as mudanças no Salão Paranaense. ''Em nome de uma tradição, não faz sentido ampliar, por exemplo, a participação para os artistas do Mercosul'', diz o artista que ainda não sabe se vai se inscrever na 61º edição do evento.
O escultor Jefferson Santos, 29, conta que já se inscreveu pelo menos dez vezes no salão paranaense, mas nunca foi selecionado. E denuncia: ''Na edição de 1993 um amigo meu trabalhava no MAC. Ele chegou a ver meu nome entre os selecionados, mas eu nunca fui avisado. Eles me tiraram porque não me conheciam'', diz. Para o artista, as mudanças propiciam a repetição de situações semelhantes: ''Cada vez mais veremos sempre os mesmos nomes. Principalmente por causa das indicações'', lamenta.

Serviço:
- As inscrições para o Salão Paranaense já estão abertas. A regulamentação, datas e prazos podem ser encontradas no site www.pr.gov.br/mac ou no Museu de Arte Contemporânea (Rua Des. Westphalen, 16). O telefone é (41) 3222 5172. A abertura do evento acontece no dia 16 de dezembro.

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