Curitiba - Um amigo de José Pancetti (1902 - 1958) costumava comentar que os quadros do artista mostravam até mesmo a direção que o vento soprava. Detalhista, Pancetti sempre discordava: ''aqui o evento é sudeste, não noroeste.'' Quem conta a história é José Roberto Teixeira Leite, curador da mostra ''Pancetti O pintor marinheiro'', que está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer. A exposição reúne 45 quadros de Pancetti e outras 15 obras de diferentes artistas que inspiraram ou marcaram a vida e a carreira do pintor paulista.
As obras foram garimpadas por Teixeira Leite em diversos museus brasileiros e também de colecionadores particulares. Para selecionar o material, o curador levou em conta três pontos principais: as obras mais representativas; as fases do artista e as disponibildiade dos quadros. Calcado nesses princípios, ele dividiu a mostra inédita em Curitiba em nichos. A primeira parte mostra obras de 15 pintores essenciais para compreender a trajetória de Pancetti. ''A intenção é mostrar como era essa fase da pintura no Brasil do século 19'', conta o curador. Nessa parte da exposição aparecem nomes importantes como Bruno Lechowski, que foi um dos mestres de Pancetti, até pinturas que marcaram época, como as assinadas pelos paranaenses Miguel Bakun e Alfredo Andersen.
A segunda sala da mostra é uma espécie de iniciação da obra de Pancetti. São fuguras humanas, retratos de pessoas e da própria família, mas sempre recheados de muita melancolia e detalhes, duas características do material deixado por Pancetti. Entre as obras estão retratos de Anita, mulher do artista que, aos 90 anos, ainda mora no Brasil.
Filho de imigrantes italianos, Pancetti nasceu em Campinas, mas na adolescência foi enviado pelos pais para Itália, na esperança de que tivesse uma vida melhor. Depois de trabalhar fazendo vários bicos, ele entrou para marinha e retornou para o Brasil. Vem daí a inspiração para maior parte dos seus quadros. ''E também por isso os quadros retratam uma realidade surpreendente. Até a corda que amarra o barco tem um ângulo realista nas pinturas de Pancetti'', lembra Teixeira Leite.
As marinhas são o tema da última sala da exposição. ''Ele utilizava a praia muito mais como símbolo da existência humana do que como simples paisagem'', revela o curador. Ele lembra também que a vida do artista foi marcada pela irreverência e incorformismo. Aos 20 e poucos anos, Pancetti descobriu que tinha tuberculose. A doença o acompanhou por toda a vida o obrigando a mudar de cidade várias vezes em busca de um clima mais ameno. Mas foi de câncer, que o artista morreu, aos 56 anos no Hospital Central da Marinha no Rio de Janeiro, em 10 de fevereiro de 1958.

Serviço:
- Pancetti - O pintor marinheiro Até 9 de setembro no Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes,999). De terça a domingo das 10 às 18 horas. Ingressos a R$ 4,00 e R$ 2,00.

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