Curitiba Mais que ornamentar e dar status às casas e castelos, os tapetes na antiguidade tinham a função de esquentá-los também. Diferente do que é hoje, quando valem mais pela decoração, na Idade Média eles eram feitos por nobres artistas, mas tinham funções variadas. Essas e outras características vão poder ser conferidas a partir de hoje, no Museu Oscar Niemeyer (MON) numa preciosa mostra que está no Brasil de passagem. As 26 peças que compõem ''A Arte da Tapeçaria'' são do acervo do Petis Palais de Paris e chegam vindas de uma temporada de sucesso na Pinacoteca de São Paulo.
Para complementar didaticamente a mostra, o Departamento de Arte-Educação do MON oferece amanhã, às 19 horas, uma palestra gratuita com a marchand Maria Amália Schmidt.
As obras em exposição são todas de grandes dimensões. Foram confeccionadas por artistas belgas e franceses entre os séculos 15 e 17 e mostram momentos históricos como a obra de François Boucher. Ele retratou a Psique sendo conduzida por Zéfiro no Palácio do Amor e, em outra cena, Psique mostrando suas riquezas às irmãs invejosas.
As peças foram feitas separadas, mas unidas por uma cerzidura imperceptível e talvez sejam a parte mais contundente da mostra. Há também tapetes que contam como eram feitas as caças naquela época como é o caso de ''Ulisses Matando Javali no Monte Pernaso''.
As obras que integram a exposição são frutos de duas culturas, a flamenca e a francesa, e foram trazidas ao Brasil pela curadoria dos franceses Françoise Barbe e Patrick Lemasson.
Ainda na exposição, a belíssima ''História de Alexandre'', a mais antiga da coleção do Petit Palais. Nela está ilustrada a batalha entre Alexandre, o Grande, e Nicolau, rei da Cesaréia. Ao lado delas, está uma inspiração nas iluminuras. ''Fatos e Conquistas de Alexandre, o Grande'', feitos na mesma época.
Algumas obras trazem o contexto religioso à tona como o tapete ''A Degolação de São Protásio'', que faz parte da série ''História de São Gervásio e São Protásio'', de Sébastien Bourdon, feita a partir de 1665. E em todas elas é possível perceber detalhes como a cartela de cores restrita, já que naquela época todas as matizes eram criadas a partir de tintas vegetais. Esses detalhes, no entanto não tiram a magia e tampouco a riqueza de detalhes que cada uma das 26 tapeçarias que estão na cidade têm.

Serviço:
- Exposição: ''A Arte da Tapeçaria'' - Coleção do Petit Palais - Paris. De hoje até 3 de setembro,no Museu Oscar Niemeyer (rua Marechal Hermes, 999), em Curitiba. Horário: de terça a domingo, das 10 horas às 20 horas. Preços: R$ 4,00 para adultos e R$ 2,00 para estudantes (Crianças com até 12 anos, maiores de 60 e grupos de estudantes de escolas públicas, do ensino médio e fundamental, pré-agendados não pagam). Agendamento prévio para escolas pelo e-mail: [email protected] ou pelo telefone (41) 350-4418, das 10 horas às 18 horas.Patrocínios: Renault e Sanepar. Amanhã acontece a palestra ''As tapeçarias antigas'', às 19 horas. Mais informações pelo telefone (41) 350-4400

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