VISUAIS - Portinari resgatado
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terça-feira, 10 de outubro de 2006
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, foi na segunda-feira ao Museu Nacional de Belas Artes receber oficialmente o quadro ''O Caçador de Passarinhos, de Cândido Portinari, apreendido pela Receita Federal, no porto de Santos, no fim do ano passado e doado. A obra, datada de 1958, fase final do pintor modernista, que morreu em 1962, é avaliada em R$ 350 mil e vinha clandestinamente de Miami, escondida num carregamento de produtos químicos. Ficará numa sala do segundo andar do museu, até dezembro, quando será inaugurada a Galeria dos séculos 20 e 21. Lá fará companhia a uma marina de Pancetti, doada pela embaixatriz Ana Maria de Almeida na última sexta-feira.
Segundo o diretor da Receita Federal, apreensões desse tipo não são raras, embora ele não tenha a estatística, e as obras são enviadas para a instituição pública mais próxima. ''Este quadro foi doado ao MinC devido à importância do artista'', afirmou ele, que explicou estar impedido de dizer o nome da empresa que tentou trazer o quadro porque o processo corre na Justiça em sigilo, como é regra na Receita Federal.
A diretora cultural do Projeto Portinari, Suely Avellar, confirmou a autenticidade do quatro, mas disse desconhecer seu último proprietário. ''Como a comunicação de venda não é obrigatória, nem sempre sabemos o destino de cada um dos 5.000 itens de sua obra.''
Gil agradeceu a doação da Receita Federal, ''que reconheceu a importância da obra e deu preferência ao MNBA, que guarda a principal coleção de arte brasileira do País''. O museu está em obras desde 2004, mas desde então recebeu mais de 3.000 obras, resultado de uma campanha de doações iniciada na gestão do crítico Paulo Herkenhoff como diretor. O acervo de obras de arte, que vão do século 16 até o 21, tem atualmente 18 mil peças, entre gravuras, pinturas e esculturas. As doações vêm de colecionadores e artistas, como Walter Goldfarb, que deu ao museu uma pintura sua de 1999.
Ao se referir às obras do MNBA, que duplicou sua reserva técnica e ampliou sua galeria de arte moderna e contemporânea (séculos 20 e 21), Gil afirmou que as melhorias no museu são parte de um processo. ''Estamos no meio da caminho e não podemos recuar nessa iniciativa'', disse no discurso. Depois, negou que a frase seja uma promessa de permanecer no ministério em caso de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''Os ganhos estão consolidados e devem prosseguir na próxima administração, seja com o presidente Lula ou o outro candidato, seja comigo ou outra pessoa à frente do MinC.''


