Como um pescador de cores, o artista plástico Masatoshi Matsunaga navega nos mares e rios profundos da alma, contando histórias dessa travessia nos quadros que fazem parte da exposição ‘‘Natureza’’ que será aberta hoje, às 20 horas, na Casa de Cultura José Gonzaga Vieira. São 12 obras de uma técnica de pintura inédita em que Matsunaga deixa o rio da inspiração correr ao utilizar tinta sintética em chapas de eucatex.
  Uma técnica que garante durabilidade não só aos quadros, mas às emoções que o observador consegue capturar dos mares e rios em que a inspiração do artista mergulham. ‘‘Tenho quadros pintados há mais de 40 anos, que conservam a mesma beleza’’, afirma Matsunaga.
  Aos 69 anos de idade, o artista lembra que começou a pintar ainda na primeira década de vida, em Assaí, cidade natal. Porém, a técnica começou a ser desenvolvida no próprio barracão de pintura de letreiros em placas comerciais.
  Aos poucos, o local de trabalho cedeu um espaço também para a arte, que Matsunaga se dedica nas horas de folga. ‘‘Quando vim do campo para a cidade, como outros nipo-brasileiros, que começam trabalhando com marcearia, quitanda e tinturaria, fui comerciante até que, depois de morar em São Paulo, aprendi a pintar letreiros’’, comenta o artista.
  ‘‘Natureza’’ é uma exposição em que as paisagens descem o rio da imaginação de Matsunaga para desaguar em cenas reproduzidas de fotografias, da memória e do coração do artista.
  O pôr-do-sol e o alvorecer da lua aparecem na obra refletidos no Lago Igapó. Algumas marinas também iluminam os quadros de Matsunaga. ‘‘Gosto muito de pintar. É como um lazer e igual a uma pescaria. Sou um pescador, que gosta do que pesca’’, conclui o artista.

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