Curitiba – Quando Orlando Brito começou a fotografar, a ditadura ainda era o regime de governo brasileiro. Desde então ele chegou a registrar momentos antagônicos, como as cerca de 600 pessoas ‘‘elegendo’’ Geisel e – décadas depois – os mais de 120 milhões de eleitores escolhendo, de forma democrática, Lula como presidente. No meio disso tudo, uma história política que o fotógrafo mineiro – um dos mais importantes fotojornalistas do Brasil– registrou de uma maneira muito peculiar.
  Parte desse registro (cerca de 400 fotografias) estão no livro ‘‘Poder, Glória e Solidão’’, uma viagem ao coração da política nacional. O livro se desmembrou também numa exposição, ainda mais atual que a obra, já que inclui fotos mais recentes. As imagens vão poder ser conhecidas a partir de hoje, na mostra que reinaugura a Galeria da Caixa, em Curitiba.
  São quase cem fotografias, a maioria presente no livro ‘‘Poder, Glória e Solidão’’, de 2002, mas algumas da história política mais recente que foram incluídas no acervo de Brito. ‘‘É uma oportunidade dos visitantes conhecerem a política nacional, da ditadura à democratização’’, avisa o fotógrafo, mais conhecido como ‘‘o fotógrafo dos presidentes’’. Para ele, a experiência ao registrar essas imagens vai além da fotografia usual. ‘‘Acho que antes de ser um trabalho de fotografia é um trabalho que mostra o fio da história. Uma celebração à democracia’’, analisa.
  O livro e a exposição retratam os sombrios momentos da chegada da Revolução de Março de 1964, com a dureza da censura e da tortura; dos movimentos populares pela redemocratização do país até os novos tempos; e da reconquista da democracia. Da época dos generais Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo à posse de Luis Inácio Lula da Silva, em 2002, são apresentados fatos e personagens marcantes da vida brasileira. São presidentes, militares, senadores e deputados que escreveram a história da política brasileira.
  Para Brito, que começou a carreira aos 15 anos, o que mais o impressiona nessa experiência é ‘‘saber por onde o Brasil já andou’’. ‘‘Eu trabalho para a história, não para o dia-a-dia. Meu trabalho é criterioso e crítico e as fotos podem servir de material para pesquisadores e professores. Não se encerram na publicação’’, observa o fotógrafo. Atualmente ele mantém o próprio escritório, em Brasília, mas acumulou cargos nos mais importantes veículos nacionais. Foi fotógrafo e editor da Revista Veja por 16 anos, trabalhou nos jornais O Globo e Jornal do Brasil. Desde o governo militar é um dos fotógrafos que mais registrou os presidentes e políticos brasileiros.
  Brito já publicou cinco livros de fotografia, intitulados ‘‘Perfil do Poder’’ (1982), ‘‘Senhoras e Senhores’’ (1992), ‘‘Poder, Glória e Solidão’’ (2002), ‘‘Iluminada Capital’’ (2003) e Corpo e Alma (2006), além de ter fotos publicadas em mais de 30 outras obras coletivas. Seu próximo projeto, intitulado ‘‘Poder, Vitória e Derrotas’’, tem lançamento previsto para o próximo ano. A obra deve seguir o mesmo caminho que ‘‘Poder, Glória e Solidão’’, reunindo fotos que vão além de belas imagens: são capazes de recontar um período.
  Sobre essa capacidade do fotojornalismo, aliás, Brito considera: ‘‘Hoje é muito fácil manipular imagens. A realidade é uma ilha de excessão dentro do jornalismo, mas eu trabalho dentro dessa ilha’’.

SERVIÇO
- Exposição de fotografias de Orlando Brito, do livro ‘‘Poder, Glória e Solidão’’. Abertura hoje, às 19h30 horas. Em cartaz até o dia 17 de fevereiro de 2007, de segunda à sexta, das 9 às 19 horas. A Galeria da Caixa fica na rua Conselheiro Laurindo, 280, em Curitiba. Informações (41) 2118-5111 e (41) 2118-5233.

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