Curitiba Parques, praças, avenidas e um transporte coletivo peculiar. Existem alguns ícones que identificam Curitiba em diversos cantos do mundo, mas assim como em qualquer outra cidade, também existem cenas e paisagens que aparecem pouco ou quase nada, apesar de cada vez mais presentes. Para mostrar esse universo latente, um grupo de alunos do curso de jornalismo da Unibrasil, em Curitiba, decidiu pegar o caminho inverso ao geralmente adotado pela fotografia.
Em vez de belas paisagens turísticas, os estudantes se embrenharam numa favela em formação na capital paranaense. O resultado pode ser visto na exposição ''A Curitiba que ninguém quer ver crianças da Vila Rio Negro'', em cartaz até o dia 6 de outubro na universidade.
São cerca de 100 fotos, editadas de um material bruto composto por mais de duas mil imagens. Para produzir o material, os alunos foram orientados pelo jornalista e professor de Fotografia Hugo Abati, que coordenou o projeto. Abati conta que há dois anos alunos da disciplina de Fotojornalismo fotografam os moradores da Vila Rio Negro, localizada entre as divisas do bairro Tarumã e Bairro Alto, a poucos minutos do centro da cidade. ''O objetivo é mostrar as condições de vida desses moradores'', conta.
As fotografias que integram a exposição foram tiradas no início deste ano. No final do primeiro semestre, os próprios alunos revelaram os filmes e ampliaram as fotos, todas em preto-e-branco. ''Acho que é um período que dá para ensinar a fotografar. O aluno conclui a disciplina com noções de fotografia e revelação'', salienta o professor.
Mas a técnica não foi a principal meta desse trabalho, que além de apurar o olhar dos estudantes também resgatou a discussão sobre a temática social. Abati já há algum tempo vem desenvolvendo um trabalho pessoal voltado aos movimentos sociais e decidiu levar o tema para universidade.
Antes de começar o trabalho na vila, Abati pediu a permissão dos moradores. A população da vila que reúne cerca de 60 famílias é formada por pessoas de diversas profissões, mas a maioria é catadora de papel. ''O curioso é que a gente vê uma casa um dia e no outro, ela não está mais ali'', conta o professor.

Serviço:
- Mostra de fotografias ''A Curitiba que ninguém quer ver - crianças da Vila Rio Negro''. Em cartaz até o dia 6 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 7h45 às 22h30 no saguão da Unibrasil (Rua Konrad Adenauer, 442), em Curitiba. Entrada franca ou doação voluntária de um quilo de alimento ou agasalho.

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