VISUAIS - O movimento ótico de Soto
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de julho de 2005
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba ''Acredito que a matemática é poesia pura'', declarou Jesús-Rafael Soto, em 2002, ao jornal o Estado de São Paulo. Essas obras que levaram o artista venezuelano a declarar sua paixão pela arte cinética lançada ao mundo por ele se apresentam ao publico curitibano a partir de hoje, na primeira mostra individual e retrospectiva de Soto. Com a curadoria de Paulo Venancio Filho, a exposição ''Soto: A Construção da Imaterialidade'' mostra cronologia e conceito sobre a trajetória do artista morto em janeiro deste ano.
Junto às obras de Soto, Venâncio Filho reuniu também peças de artistas que tinham em seu trabalho uma conexão com a proposta do venezuelano. Lygia Clark, Hélio Oiticica, Sérgio Camargo, Lygia Pape, Franz Weissmann, Arthur Piza, Amílcar de Castro e Willys de Castro são os brasileiros relacionados e com obras expostas no Museu Oscar Niemeyer.
Vindas da Fundación Museo de Arte Moderno Jesús Soto, em Ciudad Bolívar, da Coleção Cisneros e de particulares, além do Museu de Arte Contemporânea da USP as obras de Soto retratam toda sua vida. Começando com peças de seu início de carreira feitas em 1955, passando pela fase cinética até chegar na fase pouco antes dele morrer. Há duas obras inéditas no acervo: ''Esfera Theospácio'' e ''Ovale Moutarde''
Neste clima de ineditismo a exposição resgata também ao trazer a obra ''Penetrável'' do Museu de Arte Contemporânea da USP. Recém-restaurada para vir ao Brasil a peça já passou por São Paulo, Rio de Janeiro e agora Curitiba.
Quem não conhece a obra de Soto e tampouco faz idéia do que se trata a cinética na arte vale a explicação. A técnica tenta introduzir na arte o movimento. O artista tido como um pioneiro no assunto bebeu na fonte de grandes mestres da arte construtiva geométrico-abstrata que conheceu em sua temporada parisiense na década de 50. Mondrian e Malevitch foram uma espécie de apontadores de um novo caminho ao jovem com então vinte e poucos anos. Fruto desta imersão francesa surgiu a obra ''Metamorfosis'', em 1954, apontada como a introdução do movimento ótico na pintura. Indo além na questão, em 1967 Soto apresenta ao mundo o trabalho ambiental, seu primeiro ''Penetrável'' obra em que o espectador entra dentro dela. Em todos os momentos de sua vida o artista trabalhou a visão, a luz, o movimento e a vibração.
Paralela a abertura da exposição feita somente para convidados, na noite de ontem, o MON lançou seu selo comemorativo aos dois anos de atividade. A criação de uma peça exclusiva para a entidade foi encomendada há um ano pela presidente Maristela Requião e traz o famoso Olho de Oscar Niemeyer em destaque.
Serviço:
- Exposição ''Soto: A Construção da Imaterialidade'', abertura ao público hoje, no Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999), em Curitiba. A mostra pode ser vista até dia 30 de outubro de terça a domingo das 10 às 18 horas. Ingressos: R$ 4,00 (adultos) e R$ 2,00 (estudantes). Crianças de até 12 anos, maiores de 60 anos e grupos de estudantes de escolas públicas, pré-agendados não pagam.
21 de julho a 30 de outubro
Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999)
Centro Cívico - CEP: 80530-230
Telefone: (41) 3350-4400
Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h
Preços: R$ 4,00 adultos e R$ 2,00 estudantes identificados (Crianças de até 12 anos, maiores de 60 e grupos de estudantes de escolas públicas, pré-agendados, não pagam)


