Curitiba - A injustiça, a submissão e o sofrimento de mulheres africanas, afegãs e indianas são, neste ano, tema de uma exposição em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado amanhã. O objetivo é sensibilizar a sociedade, chamando atenção para a situação vivenciada pelas mulheres desses países. A mostra ''Mulheres: olhai por nós'', da artista plástica Cristina Daher, é uma coletânea de imagens, fatos e textos sobre a cultura e a religião das mulheres da África, Afeganistão e Índia num projeto de reintepretação da história do Oriente, que vem sendo desenvolvido há seis anos. O trabalho da artista curitibana consiste em colagens, pinturas com cores vibrantes e textos, extraídos de revistas internacionais e da Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo Daher, a figura da mulher tem significados bastante distintos, exibidos nas pinturas e imagens que compõem a exposição. ''Força, beleza, memória e denúncia são mostradas nas transposições. Também, as cores utilizadas, a maioria delas bastante vibrante, fazem parte da cultura desses países'', conta a artista. A obra de Daher pretende materializar suas próprias preocupações procurando sensibilizar os homens para essa realidade mundial.
Daher fez diversos cursos de artes plásticas, dentre os quais de pintura com Ronald Simon, Geraldo Leão, Charles Watson e Patrícia Furlong; anatomia e morfologia humana; história da arte; além de estudos em galerias, museus e ateliês na Europa, Canadá e Estados Unidos. A artista também já participou do Salão Nacional de Arte Religiosa, da Mostra Postal Andersen, do Ateliê Alfredo Andersen e do Ateliê Guido Viaro, sendo condecorada como Melhor Artista Plástica do Ano pelo Jornal Diário Popular, em 1997.
''Mulheres: olhai por nós'' é a sua segunda exposição individual. Na abertura do evento, que ocorreu na sexta-feira, no hall da Secretaria de Estado da Cultura, aconteceram apresentações de dança indiana, árabe e africana, baseadas na exposição e nos estudos feitos pela artista. Os números de dança foram coordenados pelos bailarinos Meno Meirelles e Regina Montecelle.
''O estudo sobre a vida religiosa e cultural das mulheres vai continuar, e, com certeza, essa é a apenas a primeira exposição sobre elas. Pretendo continuar estudando o cotidiano das mulheres de muitos outros países, inclusive das brasileiras, que sofrem muito com o trabalho nas lavouras e com a discriminação'', promete a artista. Para ela, a mulher brasileira conquistou muito espaço no mercado de trabalho, mas, mesmo assim, ainda é inferiorizada e injustiçada. ''Muitas vezes elas fazem o mesmo trabalho de um homem, mas, recebem menos do que eles. É uma realidade dura de aceitar'', conta. ''Não sou feminista, mas luto pela igualdade'' diz.


Serviço:
- A mostra ''Mulheres, olhai por nós'' está aberta ao público no hall da Secretaria de Estado da Cultura (rua Ébano Pereira, 240), em Curitiba.

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