VISUAIS - O Brasil em lentes fantásticas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
Camila Molina<br> Agência Estado 
Mesmo ''cidadão livre do mundo'', o francês Pierre Verger (1902-1996) escolheu a Bahia como morada. Há 60 anos ele chegou ao Brasil e mais do que apenas pisar em solo brasileiro e aqui habitar, ele resolveu debruçar-se sobre nosso País, sobre uma cultura particular de raízes diversas (principalmente a africana). Com uma Rolleiflex, desde a década de 1940, realizou aqui belas imagens em preto-e-branco que até hoje nos encantam e são tantos milhares de negativos que há ainda fotografias inéditas. Tanto que agora, em mais uma efeméride sua definitiva chegada ao Brasil , a mostra a ser inaugurada hoje, no Museu de Arte Moderna de São Paulo tem como mais um chamativo reunir grande número de imagens nunca antes expostas ao público.
Pierre Fatumbi Verger em 1953 ele adotou o nome Fatumbi, ''nascido de novo graças ao Ifá'', tamanho seu interesse pela religiosidade africana, pelo candomblé foi mais que fotógrafo (trabalhou para agências e jornais): é considerado historiador e etnógrafo, deixando publicados importantes estudos sobre a cultura afro-brasileira, como ''Fluxo e Refluxo do Tráfico de Escravos entre o Golfo do Benin e a Baía de Todos os Santos'' e ''Notícias da Bahia - 1850''.
Mas a mostra ''O Brasil de Pierre Verger'', com itinerância prevista para os Museus de Arte Moderna do Rio e da Bahia, apresenta o que poderia ser chamado de seus primeiros olhares sobre o País não somente sobre a Bahia, mas registros de passagens pelo Rio, São Paulo, Pernambuco, Maranhão e Pará. São 290 imagens feitas em sua primeira década no País, entre 1946 e 1958.
Além de deslumbramento, o trabalho de Verger foi impulsionado por um certo ''inconformismo''. Destaca-se no seu trabalho, o ser humano imortalizado pela Rolleiflex. Verger ia ''de encontro ao outro'', como diz o curador da mostra Alex Baradel, e era essa sua atitude.
Serviço:
- Exposição ''O Brasil de Pierre Verger e Veracidade''. Abertura hoje, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Parque do Ibirapuera,, portão 3). Das 10 às 18 horas (segunda-feira não abre). Ingressos: R$ 5,50, grátis aos domingos. A mostra fica em cartaz até dia 26 de março.


