VISUAIS - Mostra de veteranos
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terça-feira, 24 de agosto de 2004
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Deveria acontecer hoje o encontro dos três maiores artistas vivos do Brasil. Mas ainda que Oscar Niemeyer, Franz Weissmann e Tomie Ohtake não possam estar presentes, abre hoje, no anexo do Museu Oscar Niemeyer (Mon), em Curitiba, a exposição ''Poética da Forma'', que reúne obras do trio. Esta é a primeira vez que trabalhos dos artistas, ícones da arquitetura e arte no Brasil, são expostas juntas. A mostra comemora um ano de programação do Mon e marca o reabertura do ''olho'', fechado para exposição desde o início do ano passado.
Os três artistas, todos com mais de 90 anos, deveriam estar presentes. Mas devido a idade avançada e a problemas pessoais, somente a presença de Tomie Ohtake estava confirmada até ontem. Oscar Niemeyer, que anteontem estava em São Paulo recebendo o título de cidadão honorário da cidade, disse que Curitiba é ''longe'' e descartou a possibilidade de participar do evento. Aos 97 anos, o arquiteto que projetou o museu curitibano que leva o seu nome, não gosta de viajar de avião, o que inviabiliza o percurso de longas distâncias. Mas mesmo que não esteja presente na obertura, as obras do carioca devem ser a vedete da mostra.
Niemeyer preparou três esculturas inéditas especialmente para o evento. Serão expostas também 14 fotografias de grandes obras assinadas pelo arquiteto e selecionadas por ele. São imagens que passam pela Pampulha, em Belo Horizonte (MG), que marca o início da carreira de Niemeyer, até os projetos mais recentes ainda em construção, como a Catedral de Niterói (RJ) e o auditório do Parque Ibirapuera (SP), além da apresentação de um desenho ampliado para um painel de 25 metros de comprimento.
O arquiteto apresenta ainda um estudo comparativo da chamada arquitetura de grande escala. No estudo, ele compara o complexo da Universidade de Constantine, em Argel (Argélia), de 1969, ao Centro Administrativo do governo de Minas Gerais, em construção.
Do escultor austríaco Frans Weissmann, de 93 anos, estarão expostas uma dezena de obras, realizadas nos últimos dez anos. Radicado no Brasil desde 1921, Weissmann produziu diversas esculturas que estão em locais públicos de São Paulo e Rio de Janeiro. Já a artista plástica Tomie Ohtake, a ''caçula'' do trio, com 91 anos, integra a mostra com 14 pinturas que traçam um panorama do seu trabalho. São obras em acrílico sobre tela datadas desde 1956 até 2004, além de uma escultura de mais de 10 metros de comprimento, instalada estrategicamente no teto do olho, descendo até a escada.
''Poética da Forma'' tem curadoria de Marcus de Lontra Costa. Para o curador, as obras dos três artistas se encontram ''pela utilização do cálculo sem perder a fantasia''. Lontra trabalha já há algum tempo com Niemeyer e foi ele o responsável pela sugestão dos nomes de Tomie e Weissmaan para compor a exposição de reabertura do olho.
''O olho virou uma referência para Curitiba e para o Brasil e uma exposição no espaço é muito importante, mas mais ainda foi a capacidade do museu de produzir a mostra'', diz o curador. ''Poética da Forma'' foi concebida especialmente para habitar o olho de vidro do Museu Oscar Niemeyer, mas deve ganhar outros espaços depois do encerramento da mostra em Curitiba, em 21 de novembro. O próximo espaço cogitado para receber a exposição é o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.
Serviço:
- Exposição ''A Poética da Forma'', com obras de Oscar Niemeyer, Franz Weissmann e Tomie Ohtake. Abertura paara convidados hoje, às 20 horas. A partir de amanhã aberta para o público das 10 às 20 horas no anexo (olho) do Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999). Ingressos a R$ 4,00 e R$ 2,00.


