VISUAIS - Mestre das cores
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terça-feira, 21 de novembro de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Quem visitar a 21 Mostra de Arte Afro-Brasileira, inaugurada esta semana no Museu de Arte de Londrina, terá a oportunidade de apreciar algumas obras de um mestre brasileiro das cores e dos traços. Na condição de convidado especial da exposição, o paulista Adelio Sarro traz 20 trabalhos figurativos em óleo sobre tela, todos tematizando personagens afro-descendentes.
''Gosto da mistura de etnias de nossa gente'' - diz ele. Sarro conta que esta é sua segunda passagem pela cidade. Na primeira ocasião, ''há uns 18 anos'', participou de uma coletiva numa galeria da qual não se lembra mais o nome. De lá para cá, o artista rodou o globo expondo nos Estados Unidos, Alemanha, França, Bélgica, Suiça, Austrália, Noruega, Singapura e Portugal.
''Nasci em Andradina (SP), depois me mudei para o ABC paulista e hoje vivo no mundo inteiro. Já recebi convites para trabalhar em Moscou e São Peterburgo no próximo ano'' - anuncia. Aos 55 anos, Sarro tem 7 mil obras espalhadas por diversas países, entre elas 200 esculturas monumentais em praças públicas e no interior de instituições religiosas.
Há também trabalhos em vitral, alguns produzidos para uma igreja do século XI na Alemanha, criando um diálogo entre o medieval e o contemporâneo. ''Não sei dizer o porquê, mas a Alemanha é o país mais receptivo para minhas obras'' - revela. Ao comentar os diferentes ambientes culturais encontrados ao longo de suas viagens, ele reforça a defasagem do Brasil em relação às nações desenvolvidas.
''Na Europa, há um grande respeito pela arte'' - salienta. ''Já aqui, não temos cultura nem política cultural. Não há nenhum cuidado com o patrimônio. É uma terra de 500 anos onde o povo não conhece seu espaço, nem reconhece o espaço do outro. Todos vivem na dependência de que o Governo faça tudo, enquanto eu costumo dizer que se cada um varresse a frente de sua casa nós poderíamos mudar o mundo''.
Sarro começou a pintar em 1972 sob o impacto de uma visita ao Museu Portinari, na pequena cidade de Brodowski, no interior de São Paulo. O contato com as obras do mestre impulsionou sua vontade de virar artista, o que já se esboçara no gosto pelo desenho na infância. Autodidata, não teve formação acadêmica e nem frequentou ateliês. Criou seu próprio estilo, expressionista e ao mesmo tempo neo-realista.
De cores fortes e vivas, suas telas apresentam figuras com fortes traços brasileiros. A galeria de personagens inclui mulheres indígenas, mulatas, camponeses, mães com seus filhos, vendedores ambulantes, diaristas e vagabundos. Entre as características mais marcantes de sua obra, o artista destaca os volumes exagerados de mãos e pés.
''Eles aparecem um pouco desproporcionais em minhas telas'' - confessa, observando que ambos são testemunhos expressivos da dura batalha da vida que os brasileiros excluídos precisam vencer diariamente. A Mostra de Arte fica em cartaz até o dia 30 desse mês, sob organização do Movimento de Estudos da Cultura Afro-Brasileira (MECAB), tendo à frente o artista plástico Agenor Evangelista.
Além das obras de Adelio Sarro, reúne trabalhos de outros cinco artistas: Pires Laranjeira (Portugal), Wendell Miranda (Aracaju), Katia Borges (local), Diego Navarra (local) e Edson Massuci (local) - todos com participações em edições anteriores da Mostra.
Serviço:
- 21 Mostra de Arte Afro-Brasileira. Aberta ao público até o dia 30 desse mês. Horário de visitas: das 10h às 18 horas de sexta a segunda-feira; e das 8h às 13 horas aos sábados. Local: Museu de Arte de Londrina (Rua Sergipe, 640). Entrada gratuita. Mais informações pelo fone: (43) 3337-6238.


