VISUAIS - Martín Chambi, um artista inventivo
Produzir fotografia em larga escala nos anos 20, na América do Sul, era um processo muito mais lento e trabalhoso do que hoje, obviamente devido à tecnologia rudimentar daquela época, bem diferente das máquinas digitais e das ferramentas de finalização disponíveis atualmente. Um nome se destaca, justamente por fazer muito com muito pouco: o peruano Martín Chambi foi um artista da imagem que abusou da criatividade para chegar a resultados impressionantes, disponíveis para o público paranaense na exposição Martín Chambi O Poeta da Luz, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, até 26 de junho.
O que ele tem de mais fascinante é a maneira especial com que ele lida com a luz, principalmente no rosto das pessoas, no jeito que ele capta os olhares dessas pessoas, exalta a curadora da mostra, Leila Makarius. Na época que ele fazia as fotos, havia uma influência muito grande da Europa e dos Estados Unidos na fotografia. E as fotos dele não tinham esse olhar de turista. Era a foto de alguém que pertencia àquele lugar, complementa.
Martín Chambi nasceu em 1891, em uma pequena vila em Coaza, no Peru, em uma família de agricultores. O trabalho de meu avô se destaca, especialmente, por duas razões: porque ele fazia as coisas com o coração de uma pessoa que veio de uma origem campesina, de uma família humilde, indígena; e pelo talento, comenta Teo Allain Chambi, que acompanhou toda a carreira do avô.
Na foto reproduzida acima, Víctor Mendívil con el gigante, de 1925.
● Inaugurado em 2002 em Curitiba, espaço presta homenagem ao arquiteto brasileiro que é considerado um dos nomes mais influentes na arquitetura moderna internacional
● Foi no ciclo do ouro em Carabaya, no início do século 20, que Chambi teve o primeiro contato com uma máquina fotográfica, tornando-se fotógrafo profissional em 1917





