O sotaque é inconfundível. Por onde passa o português António Nolasco, 50 anos, chama a atenção e não se cansa de dizer que não há povo no mundo mais simpático do que o brasileiro. ''Aqui sou bem-vindo em qualquer lugar que vou'', afirma. Em Londrina há quase um mês, a convite de amigos, Nolasco pretende se radicar aqui. ''É uma cidade evoluída, mas sem o estresse das grandes metrópoles''. Nascido em Angola, veio para o Brasil aos 20 anos, onde ficou por dois anos. Depois disso, foi para Portugal para fazer a sua graduação em Letras. Lá, acabou se envolvendo no ramo empresarial, e, recentemente, decidiu dar o seu ''grito da liberdade'', como costuma dizer, e se aventurar em terras brasileiras levando consigo apenas a arte de fazer poemas e o que chama de 'grafismo decorativo' conceito novo de arte em que se utiliza o computador para desenhar e pintar. ''O meu pincel é o 'rato' (mouse, em português de Portugal)'', brinca o artista que estréia hoje, às 20 horas, no Shopping Catuaí, exposição com cerca de 18 trabalhos. Outra novidade é que cada tela será exposta ao lado de um poema relacionado à sua temática.
Nolasco conta que desde a infância gostava de desenhar, mas nunca tinha tido a ousadia de mostrar os seus trabalhos. A poesia também fazia parte do seu repertório artístico restrito à privacidade. O trabalho com grafismo decorativo tomou corpo há um ano e começou como um hobby de manipular imagens fotográficas no computador. Dedicando-se cada vez mais à flexibilidade artística fornecida com o apoio das ferramentas tecnológicas que utiliza Paint e Microsoft Photo Editor Nolasco conquistou elogios de amigos e, encorajado, fez a primeira exposição do gênero em Portugal.
Utilizando mais o conceito figurativo e abusando da criatividade quando o assunto é textura e variação de cores, Nolasco consegue efeitos visuais inusitados e ainda tem a possibilidade do desenho criado poder ser impresso no tamanho que o cliente quiser. ''É quase como se fosse uma serigrafia, só que faço uso do computador e não pretendo reproduzir mais que 15 vezes uma mesma peça'', avisa o artista.
A impressão pode ser feita tanto em tela quanto no vinil, material que Nolasco prefere por achar que valoriza o resultado final. O preço de cada trabalho varia de R$ 150,00 a R$ 300,00.

Serviço:
- Exposição de Grafismo Decorativo, de António Nolasco. Abertura hoje, às 20 horas, no Catuaí Shopping, próxima à galeria de Neuza Montóya, que ficará responsável pela venda das telas. A exposição deverá se encerrar no próximo dia 16.

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