VISUAIS - Imagens abertas para os olhos do mundo
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terça-feira, 18 de novembro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Um grupo de oito artistas visuais brasileiros desembarca esta semana na Espanha para participar da exposição ''Mapas Abiertos Fotografia Latinoamericana 1991-2002'', sob curadoria do pesquisador Alejandro Castellote.
Entre os escalados está a fotógrafa londrinense Fernanda Magalhães, incluída no projeto com sua série de painéis ''A Representação da Mulher Gorda na Fotografia'', já mostrada em diversas cidades brasileiras. A coletiva será inaugurada hoje na Sala de La Fundación Telefónica, em Madri, e na próxima sexta-feira no Palau de la Virreina, em Barcelona, prosseguindo até janeiro de 2004.
A mostra reúne trabalhos de 45 artistas da América Central, América do Sul e Caribe. Além de Fernanda, o escrete brasileiro será representado por Vick Muniz, Mario Cravo Neto, Miguel Rio Branco, Eustáquio Neves, Cássio Vasconcelos, Panna Prearo e Kenjin Ota. Fernanda é a única paranaense selecionada.
''Conheci o curador em 2000, em Houston, no Texas (EUA). Na ocasião, ele falou que estava estruturando um livro e que queria me incluir nele. No ano seguinte, ele veio ao Brasil, viu meu trabalho na Bienal de Fotografia de Curitiba e fez o convite oficial'' conta a artista, que é docente na Universidade Estadual de Londrina e mestranda no Instituto de Artes da Unicamp.
O livro a que ela se refere também será lançado como parte do projeto trazendo um panorama da produção fotográfica lationamericana com trabalhos de 95 artistas. Dessa turma, foram convidados 42 para participar da exposição. Castellote organizou a coletiva partindo de quatro grandes temas: Identidades, Mitos, Cidades e Espelho Social e Gramáticas Mestiças. A paranaense foi inserida no primeiro bloco.
Fernanda mostra 5 trabalhos selecionados a partir de sua pesquisa ''A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia'', que desenvolve desde 1993 e que lhe rendeu o VIII Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Funarte, em 1995. ''A idéia dessa pesquisa era provocar uma reflexão sobre a padronização da estética na cultura contemporânea'' explica a artista.
''Comecei como um questionamento de ordem pessoal e, daí, extrapolei para a abordagem social da mulher e do corpo. O objetivo era mostrar como o corpo da mulher obesa é representado, como ele sofre preconceitos com a tirania da beleza e com a obediência a um padrão de peso imposto pela sociedade''. A fótografa conta que, desde a primeira exposição da série (em 1997, na Sala Celso Garcia Cid, em Londrina), recebeu os mais diversos comentários por parte do público.
''Houve repercurssão positiva, com pessoas declarando que aquelas imagens mudaram sua vida ou que passaram a encarar seu corpo de outra forma. Por outro lado, houve também impacto negativo com gente se sentindo agredida com as fotos'' lembra. Durante a pesquisa, a artista topou com dificuldades para encontrar modelos dispostas a se despir diante da câmera. A saída foi partir para o auto-retrato, colocando-se lado a lado a imagens de outros fotógrafos como a da americana Joyce Tenesen, especializada em retratar gordos garimpadas na Internet e até em revistas pornográficas.
A série mistura fotografia, colagens, pinturas e computação gráfica. Já foi mostrada em várias cidades, entre elas São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Curitiba e João Pessoa (PB). No exterior, só Nova York havia acolhido a mostra. Agora, uma parte do trabalho ganha repercussão em Madri e Barcelona, com previsão segundo anuncia a curadoria do ''Mapas Abiertos'' de itinerar pela América Latina, Europa e Estados Unidos.


