VISUAIS - Grandes nomes no Mon
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segunda-feira, 27 de setembro de 2004
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quase 200 obras em dois meses. Esse foi o acervo que o artista espanhol Uiso Alemany produziu no tempo que esteve em Olinda, em Pernambuco, no verão passado. Ele veio ao Brasil a convite do curador Emanuel Araújo e montou um ateliê em Olinda numa parceria com a Secretaria de Cultura de Pernambuco. As cerca de 30 pinturas e mais de 100 desenhos que ele produziu em território nordestino estarão expostas no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, a partir de hoje. A mostra ''Em Olinda como em Alboraya - A gestualidade em carne viva'' é montada concomitante a exposições de outros três importantes artistas.
Além da exposição de Alemany, o MON expõe também obras do brasileiro Nelson Leiner; do pintor francês Louis Eugène Boudin (''Boudin na coleção dos Barões de São Joaquim'') e do italiano Franco Giglio. Ao todo, serão 280 obras expostas. A maior parte delas, no entanto, é a produção de Uiso Alemany. O artista falou com a Folha2 ontem, por telefone, antes de embarcar para Curitiba, onde participa da abertura da mostra.
Alemany revelou que as cores que descobriu no Brasil e reproduziu em suas telas não faziam parte do seu repertório antes de vir ao País. ''Eu cheguei aqui sem saber nada e de repente comecei a respirar o Brasil. Eu começava a trabalhar às 7 da manhã e não tinha hora para acabar'', conta. Aos 62 anos, o artista já perdeu a conta dos países que conheceu. ''Emanuel (Araújo, curador da mostra) fala que eu sou um aventureiro. Mas na verdade o meu trabalho dialoga com o espaço e eu acabo incorporando esse diálogo nas minhas telas'', argumenta. Salienta ainda que a experiência em território verde-amarelo foi fascinante e provocou uma mudança na sua carreira. ''Estou seguro de que no futuro a minha obra será mais rica.''
A exposição ''Em Olinda como Alboraya'', com curadoria do escultor baiano Emanuel Araújo, foi inaugurada em Recife, antes de ser mostrada no MON. As obras trazem figuras humanas marcadas pela forte presença do movimento e das cores vibrantes. Em novembro, a mostra segue para o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.
O instituto, aliás, tem sido parceiro constante do MON. Em uma nova parceria com o órgão, o MON apresenta 25 obras, a maioria instalações, do artista paulistano Nelson Leirner. A exposição ''Nelson Leirner 1994+10'', com curadoria de Agnaldo Farias, faz um balanço da última década de produção de Leirner. A primeira retrospectiva foi apresentada em 1994, com concepção assinada pelo mesmo curador. A nova mostra, apresentada primeiro em São Paulo pelo instituto, apresentou obras polêmicas que também chegam a Curitiba.
A mostra do pintor francês Louis Eugène Boudin (1824-1898), considerado o ''pai do impressionismo'' por ter instruído o jovem Claude Monet (1840-1926), traz 20 pinturas do artista, pertencentes ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Os quadros foram comprados na França pelo barão e pela baronesa de São Joaquim e doados em 1923 ao Museu Nacional. A curadora Zuzana Paternostro apresenta ainda outras 12 obras de pintores contemporâneos de Boudin, além de uma gravura do artista, doada no ano passado.
Nessa nova safra de exposições, o museu traz também uma produção própria. Trata-se da mostra que apresenta obras do artista italiano Franco Giglio. Na juventude, o artista veio ao Brasil e produziu a maior parte dos seus trabalhos em Curitiba, tendo até trabalhos em parceria com Poty Lazarotto. A exposição produzida pelo Mon apresenta cerca de 90 trabalhos de Giglio, que datam entre 1971 e 1982, ano em que morreu, vítima de um infarto. A exposição tem curadoria de Fernando Bini.
Além dessas quatro mostras que abrem para o público amanhã, o Mon apresenta ainda, no anexo (conhecido como olho), as exposições ''A Poética da Forma'', que prossegue até o dia 21 de novembro e ''A Arte da Tapeçaria'', que poderá ser vista até 3 de outubro.
Serviço:
- Abertura das exposições ''Em Olinda, como em Alboraia - A gestualidade em carne viva'', de Uiso Alemany; ''1994 + 10 de Nelson Leirner; ''Boudin na Coleção dos Barões de São Joaquim'' e Franco Giglio, no Museu Oscar Niemeyer (Mon). Em cartaz até novembro, exceto Franco Giglio, em cartaz até fevereiro de 2005. Ingressos a R$ 4 e R$ 2. O MON fica na rua Marechal Hermes, 999. Telefone (0xx41) 350 4400


