VISUAIS - Fotografia, a arte que nasce do olhar
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de julho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
O segredo da arte fotográfica foi desvendado por Henri Cartier-Bresson (1908-2004), um dos maiores fotógrafos do século 20, ao afirmar que com o olho que está fechado o artista das imagens deve olhar para dentro.
Para Bresson, que costumava fotografar com uma Laica, a mais silenciosa das câmeras, a luz artificial tem o poder de destruir os objetos.
Conservadorismo que não impediu que Bresson assistisse à evolução da fotografia que, da simples imagem numa placa de estanho coberta com derivado de petróleo, a primeira foto reconhecida feita pelo francês Joseph Nicéphore Niépce, às máquinas digitais, ainda desperta apaixonados, que se reúnem em clubes de fotografia.
Com 36 anos de fundação, o Foto Clube de Londrina (FCL) é um espaço em que essas e outras questões filosóficas da fotografia são sobrepostas ao prazer de fotografar.
''Para nós, o participante do Foto Clube não tem distinção entre fotógrafo amador ou profissional. Todos são tratados como artistas'', afirma, o presidente do Foto Clube de Londrina, Rui Antônio Frias Cabral, fotógrafo do Museu Histórico Padre Carlos Weiss e que há 20 anos participa do clube.
O administrador de empresas Mário Jorge de Oliveira Tavares se encantou pela arte nos anos 60.
Ele é um dos 50 integrantes do clube londrinense, que teve entre os fundadores Manoel Lopes Damazzio, que faleceu em maio. ''Hoje, as coisas são bem diferentes, sendo que muitos fotógrafos têm que comprar fora filme fotográfico e cromos que não existem mais em Londrina'', lembra Tavares.
Alimentando uma grande curiosidade por tudo que está relacionado à fotografia, o administrador conta que enviou um e-mail para a Nikon, um dos maiores fabricantes de equipamentos fotográficos para saber sobre o futuro das máquinas analógicas, recebendo a informação de que já existem indústrias, nos Estados Unidos, que fabricam sensores para serem colocados no lugar dos filmes, o que garante uma sobrevida ao equipamento antigo.
Na avaliação de Cabral, o aparecimento das máquinas digitais democratizou a arte. ''Tornou a arte mais barata. É mais fácil adquirir um equipamento. Nunca se fotografou tanto como agora, mas isso também tem um ponto negativo. Antes, com 36 poses, o fotógrafo tinha que ter um critério, mas com um cartão de 200 fotos, as pessoas não têm rigor para a composição, sendo que o que vale é a regra da tentativa, erro e acerto. Anteriormente, às máquinas digitais, quem gostava de fotografia procurava aprender mais sobre a arte'', afirma Cabral.
Apesar das vantagens da máquina digital, Cabral lembra que o antigo preto-e-branco não perdeu a cor para os adeptos da fotografia. ''Quando fazemos um trabalho de denúncia social, o preto-e-branco é mais contundente'', avalia.
Cabral afirma que em fotografia, o mais importante é o olhar do fotógrafo e que alguns esquecem disso, ficando mais concentrados nos equipamentos. Ele acrescenta que ao se depararem com uma boa foto, a curiosidade das pessoas é saber qual equipamento o fotógrafo usou.
''Porém, se a foto é ruim, a culpa é sempre do fotógrafo'', brinca Cabral, afirmando que o trabalho do fotógrafo, muitas vezes, é revelar o que as outras pessoas não vêem e que a técnica é só um instrumental.


