VISUAIS - Entre estátuas e telas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Ananias Francisco dos Santos convive com a intuição e a pesquisa em suas obras. O mundo introspectivo do artista plástico de Ibiporã é exposto através das telas e estátuas.
Uma produção que vence a timidez natural de Ananias e que começa a ser revelada, principalmente pelas estátuas que encontraram um público incomum entre os que encomendam as obras para ornamentar túmulos.
As estátuas são em fibra de vidro, material que depois de receber pintura ganha aparência de bronze.
Em 45 dias, Ananias é capaz de criar peças que se aproximam da arte sacra, como um São Francisco de Assis de 1,55 metro de altura - obra que convida o observador à meditação.
Para produzir trabalhos como esse, Ananias, que é formado em Educação Artística pela Universidade Estudual de Londrina (UEL), busca referências em mestres, como Michelangelo (1475-1564) e Auguste Rodin (1840-1917).
''Antes de produzir, eu faço uma pesquisa e vejo o trabalho de outros artistas. Busco referências para as minhas obras, procurando estudar um pouco sobre a personalidade das pessoas representadas nas estátuas'', comenta Ananias, que diz ainda ser um admirador da arte sacra bizantina.
Mineiro que adotou Ibiporã como residência, ele não esquece dos artistas locais que influenciam a sua produção.
Porém, apesar de se dedicar exclusivamente à arte, o artista plástico ainda não tem um ateliê, produzindo as obras de maneira precária na varanda da própria casa.
''Quando cheguei na praça de Ibiporã e vi as esculturas de Henrique Aragão, perguntei a um amigo quem era o autor. Fiquei impressionado com o trabalho dele'', afirma Ananias, acrescentando na lista de influências o artista plástico Célio Semprebom.
As estátuas são feitas em partes com moldes de argila, gesso ou borracha. Quando a mistura de fibra de vidro e resina endurece, as peças são montadas, recebendo pintura.
Já nas telas a óleo ou acrílico, Ananias expõe corpos nus e cenas do cotidiano, recorrendo ainda à técnica de pintura com guache e nanquim para dar a sua versão da realidade a partir da reprodução de fotos de jornais.
''Esses trabalhos surgiram por acaso. Durante um tempo guardei algumas fotos de jornais, mas não sabia como usar. Fui experimentando algumas técnicas até que cheguei nessas obras. Outra característica das minhas telas é que o fundo é escuro, tonalidade que aparece a partir da mistura de cores'', destaca o artista.
Para reproduzir as fotos, Ananias usa a técnica antiga de desenhar sobre a tela quadriculada. Ele diz que ao se apropriar das fotografias consegue dar um outro significado às imagens.
''A questão do uso da cor ou do branco-e-preto nas minhas telas reflete a personalidade do artista. Não tem como desvincular. Às vezes, as pessoas não entendem, mas é algo subjetivo'', conclui Ananias.
Serviço:
- Contato com o artista plástico Ananias Francisco dos Santos pelo tel. (43) 9119-6680.


