Curitiba - Não foi uma escolha fácil. Das 7 mil obras que integram a coleção Gilberto Chateaubriand, os curadores Fernando Cocchiarale e Franz Manata tiveram que escolher apenas 180 para integrar a mostra itinerante ''Um Século da Arte Brasileira'', que depois de amargar um período sem patrocínio, conseguiu verba para circular pelo País. Inaugurou na Pinacoteca de São Paulo, passou pelo Museu de Arte Moderna (Mam) do Rio de Janeiro e chega hoje a Curitiba, no Museu Oscar Niemeyer. O acervo, um dos mais representativos da arte brasileira, saiu poucas vezes do Mam, onde está desde 1993, quando as obras da coleção foram cedidas em regime de comodato.
Para a exposição atual foram escolhidas obras que representam os períodos mais significativos da história da arte brasileira. ''Agrupamos os períodos mais emblemáticos da arte e também as obras que era mais familiares ao público'', explica Cocchiarale. Enxugar alguns artistas e retirar obras importantes foram alguns dos desafios enfrentados pelos curadores. ''Não foi uma dieta simples'', revela.
A divisão não foi feita exatamente em ordem cronológica. As obras foram agrupadas em períodos e núcleos históricos. Do ''Modernismo'', iniciado nos anos 20, até as obras de artistas contemporâneos. O ecletismo do acervo e da exposição impressiona. É possível encontrar na mesma mostra obras de artistas como Anita Malfatti, Brecheret, Cândido Portinari, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Djanira, Flávio de Carvalho, Goeldi, Guignard, Ismael Nery, Lasar Segall, Pancetti, Tarsila do Amaral e Vicente do Rêgo Monteiro. Um verdadeiro passeio pela arte brasileira e que não acaba por aí.
O núcleo ''Construtivismo e Abstracionismo'', período vivido entre 1948 e 1962, traz peças de Abraham Palatnik, Aluísio Carvão, Antônio Bandeira, Fayga Ostrower, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Mary Vieira, Milton Dacosta, Samson Flexor entre outros. Artistas como Anna Maiolino, Anna Bella Geiger, Antônio Dias, Barrão, Beatriz Milhazes, Carlos Zilio, Cláudio Tozzi, Cristina Canale, Daniel Senise, Gerchman, Glauco Rodrigues, Leda Catunda, Luiz Zerbini, Maria do Carmo Secco, Nelson Leirner, Wanda Pimentel, Raimundo Collares e Carlos Vergara integram a mostra do acervo focada na arte contemporânea.
Esse segmento é complementado pelo ''Experimentalismo e seus Desdobramentos'' é a parte conclusiva da exposição. Ela recobre o experimentalismo dos anos 70 e de sua retomada, ainda que de modo singular, dos anos 90 até a atualidade. Fazem parte desta relação, artistas como Anna Bella Geiger, Antônio Dias, Antônio Manuel, Artur Barrio, Carlos Zilio, Cildo Meireles, Edgar de Souza, Helio Oiticica, Jac Leirner, Jorge Barrão, José Damasceno, José Resende, Luiz Fonseca, Marcos Chaves, Miguel Rio Branco, Milton Machado, Rosângela Rennó, Tunga, Waltércio Caldas e Vik Muniz.
As obras que integram a Coleção Gilberto Chateaubriand pertencem a um período histórico mais extenso do que os 52 anos de existência da mesma, contados a partir de 1954, quando o pintor José Pancetti deu a Chateaubriand a tela ''Paisagem de Itapoá''. Foi a partir daí que ele começou a adquirir obras dos mais diversos - e importantes - artistas brasileiros. A idéia inicial da mostra em cartaz era comemorar os 50 anos desse acervo e os 80 anos do colecionador (comemorados simultaneamente, em 2004), mas a falta de patrocínio atrasou a empreitada, que chega agora em Curitiba como uma atração obrigatória para quem quer conhecer a arte nacional. A estimativa do acervo - e da mostra em questão - não é divulgada.

Serviço:
- Coleção Gilberto Chateaubriand: ''Um Século de Arte Brasileira''. Abertura para convidados hoje no Museu Oscar Niememyer (Marechal Hermes, 999), em Curitiba. Em cartaz até 4 de março de terça a domingo, das 10 às 18 horas. Ingressos a R$ 4,00 e R$ 2,00.

mockup