As novas tendências da arte contemporânea e, particularmente, as relações da criação com a pesquisa acadêmica irão nortear a IX Semana de Arte de Londrina, que começa amanhã e termina no dia 30.
O tema desta edição, batizado ''A Pesquisa em / sobre Arte'', será abordado em exposições, mesas-redondas, workshops, comunicações e encontros com os artistas. Estão previstas visitas monitoradas e uma programação paralela com shows musicais, exibição de filmes, mostra de animação e lançamento de livros.
O evento será inaugurado nesta sexta-feira com a conferência ''Arte, que Conhecimento é Esse?'', proferida pelo diretor da Casa de Cultura da UEL, Kenney Piau Ferreira, às 18h30 na Associação Médica. Na ocasião, ele tentará destrinchar o eixo-temático da Semana e levantar questões para serem aprofundadas ao longo da programação.
A pauta abrange tópicos como linguagens visuais e ensino da arte, teoria e história da arte, bem como as articulações interdisciplinares da arte com o campo social. ''Queremos recolocar a idéia de arte como uma fonte de conhecimento, como uma forma de entender e agir sobre a realidade'' diz ele. ''O propósito é recuperar seu potencial crítico, combatendo a visão reducionista que a associa apenas ao entretenimento, a algo sem consequências vinculada à sociedade do espetáculo''.
Para Ferreira, o tema da Mostra é oportuno em Londrina, especialmente num momento em que a pesquisa se fortalece no Departamento de Artes da UEL com a exigência de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) na Gradução e a criação de cursos de especialização nas áreas de História da Arte e Arte-Educação, além de um embrião na área de Poética Visual.
Segundo a chefe de Divisão de Artes Plásticas da UEL, Maria Carla G. de Araújo Moreira, a proposta dos organizadores consistiu em convidar tanto pesquisadores (docentes) ''que produzem arte e fazem da própria práxis seus objetos de teses na pós-graduação quanto pesquisadores (críticos, historiadores, antropólogos, etc) que têm como objeto de reflexões a obra pronta''.
Uma exposição coletiva reunirá, a partir de amanhã, um conjunto de obras representativas do primeiro grupo. A mostra vai reunir instalações, interferências, colagens e trabalhos diversos de artistas como Marco Gianotti (SP), Cláudia França (MG), Marco Buti (SP) e Shirley Paes Leme (MG). Entre os londrinenses escalados figuram Danilo Villa, Sheila Dias e Fernando Augusto.
Uma instalação da mineira Ana Maria Tavares foi adiada como decorrência de um atraso na liberação de verbas para a montagem de sua obra. A exposição estará aberta à visitação das 10 às 22 horas na Casa de Cultura da UEL (Rua Mato Grosso esquina com a Av. Celso Garcia Cid). Entre os dias 10 e 14, o público poderá conferir uma série de mesas-redondas com participação de artistas, críticos e pesquisadores renomados como Ricardo Basbaum, Tadeu Chiarelli e Annateresa Fabris.
''Arte Contemporânea como Objeto de Pesquisa'', ''O Fazer Artístico como Processo de Conhecimento'' e ''Pesquisa, Crítica e Mercado: Implicações Éticas e Estéticas'' são alguns dos assuntos a serem discutidos nesse bloco que terá como palco o auditório da Associação Médica. A programação de cursos, que começa no próximo sábado no Departamento de Arte da UEL, oferecerá workshops em torno de temas como ''A Diversidade da Arte Contemporânea'', ''Reflexões sobre a Cor'' e ''Arte e Compreensão da Imagem''.
Lembrando que o ponto de partida da Semana é a pesquisa, Carla Araújo assinala que ''os participantes dos workshops poderão vivenciar os processos de criação junto aos artistas''. O evento contará também com o lançamento dos livros ''Correr o Risco'', de Shirley Paes Leme; e um volume de depoimento dedicado à artista conceitual Ana Maria Tavares. A programação é farta e, o que é melhor, quase integralmente com entrada franca.

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