A arte em papel ganha espaço em São Paulo. A Cultura Inglesa abriu no final do mês a maior exposição coletiva de papel já feita fora da Inglaterra, com imagens de 21 artistas ingleses de várias gerações. ''Paper Democracy'' (Democracia do Papel) é uma mostra que evidencia a arte contemporânea através do suporte do papel, do um encontro inédito no Brasil de trabalhos únicos. A mostra fica aberta até 31 de dezembro.
A exposição ''Paper Democracy'' traz 189 trabalhos sobre papel, selecionados pelo artista e curador Gerard Hemsworth, nas mais variadas técnicas de impressão como chine colle (tipo de papel de arroz fino que pode ser colado no papel de impressão, alterando a cor de fundo), colotipia (a imagem é transferida por impressão fotomecânica para uma chapa de zinco ou vidro), impressão a jato de tinta (pigmento) e impressão digital íris.
Nessa exposição, o papel tem como aliadas modernas técnicas de conservação, que incluem utilização de material anti-ácido e molduras com acrílico especial que protegem contra a luz.
O caráter democrático do papel é ressaltado na exposição a partir de uma das características da gravura a possibilidade de maior circulação dos trabalhos (o que não deve ser sinônimo de reprodução), atingindo mais pessoas.
De acordo com Cláudia Marchetti, assistente de Hemsworth, o curador quis criar diálogos de artes e técnicas opostas. A exposição traz trabalhos de Richard Hamilton, artista de 82 anos, mestre da Pop Art. Ele usa imagens fotográficas como base da gravura em papel. Com interferência sobre a foto, manipula imagens do cotidiano. Já Victor Burgin, 63, apresenta a série ''Fiction Film'', um set de nove trabalhos em serigrafia com base em vídeo e computador. O artista utiliza fotogramas impressos em papel para gravura especial.
Eduardo Paolozzi, 90 anos, um expoente na arte print mundial, traz uma série de US$ 27 mil com nove serigrafias baseada na obra do compositor americano Charles Ives (1874-1954). Damien Hirst, 39, maior nome da arte conceitual britânica, criou a polêmica ''The Last Supper'' (A Última Ceia), usando 13 embalagens de remédios do coquetel da Aids e nomes que fazem trocadilhos com alimentos, numa analogia à última ceia. É um dos artistas mais polêmicos de sua geração. A série custa 82 mil pounds (US$ 140 mil). No Brasil está à venda por US$ 100 mil. De acordo com os organizadores da mostra, três interessados em adquirir a série completa já se manifestaram.
Cláudia Marchetti conta que o curador levou para a exposição sets (conjuntos) inteiros, o que é mais um atrativo dessa exposição. ''As séries já são direcionadas a grandes museus. As galerias costumam 'picá-las' por grandes fortunas'', diz. Outro exemplo é o trabalho de Jake & Dinos Chapman, dois jovens artistas britânicos bem-sucedidos, que criaram polêmica ao interferir na obra do pintor espanhol Goya na série ''The Disasters Of War''. São 83 peças de gravura em metal que custam US$ 80 mil.
Peter Blake criou o ''Alphabet'', uma série de 26 imagens nominadas a partir de uma letra. Simon Patterson, que costuma partir de sistemas para criar suas obras (o mapa do metrô de Londres, por exemplo), usa a tabela periódica para brincar com nomes de atrizes e atores conhecidos. Bruce McLean faz interferências na própria serigrafia através do computador. O consagrado artista Anthony Caro apresenta na exposição uma escultura em papel.
A Paper Democracy também reúne obras de Michael Craig-Martin, Patrick Caufield, Nigel Cooke, Tony Cragg, Peter Doig, Siobhán Hapaska, Brendan Neiland, Julian Opie, Gavin Turk, Gary Hume, Gillian Wearing e Catherine Yass.

Serviço:
- Exposição Paper Democracy. Até 31 de dezembro, no Centro Brasileiro Britânico (Rua Ferreira de Araújo, 741 telefone 11-3039-0500), em São Paulo. Curadoria: Gerard Hemsworth. Visitação: de segunda a sexta-feira, das 9 às 20 horas, sábados e domingos, das 10 às 16 horas. Entrada franca. Patrocínio: Cultura Inglesa. Co-patrocínio: British Council e Goldsmiths University of London.

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