VISUAIS - Beleza em caquinhos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de outubro de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Existe um ditado que diz que o mosaico é como um rio no deserto que aparece e desaparece de tempos em tempos, mas nunca deixa de existir. Levando a máxima em consideração, pode-se dizer que o rio está no seu melhor curso, já que a técnica milenar ganha cada vez mais adeptos. No Paraná, os amantes dessa arte são tantos que já criaram até a Associação de Mosaicistas Profissionais e Amadores do Paraná (Ampap). É a associação que promove a partir de hoje a 4 Mostra de Mosaicos de Curitiba.
Voltada principalmente para ambientes externos, a mostra reúne mais de 50 artistas paranaenses, um deles enviou a obra da Escócia. Na exposição, segundo a presidente da Ampap Bea Pereira, é possível descobrir o que difere os mosaicos feitos no Brasil e principalmente no Paraná da mesma técnica utilizada no resto do mundo. ''Materiais que só são encontrados no Brasil fazem toda a diferença para a técnica utilizada no País'', revela Bea.
Ela salienta que o Brasil é um país extremamente rico em materiais. ''No Paraná existem muitas fábricas de azulejos que também são bem aproveitados no mosaico'', explica. Mas não é só de azulejos que a técnica sobrevive. Pedaços de mármore, granito, cerâmicas e até pedras preciosas são cada vez mais incorporados ao mosaico, que há muito ultrapassou os limites da arquitetura para invadir materiais utilitários e decorativos. Algumas pedras têm características brasileiras e, portanto, únicas. Além disso os mosaicistas nacionais têm um capacidade ímpar de diversificar o material utilizado.
E é exatamente essa diversidade que tem encantado turistas de todo o mundo. ''Eu já mandei peças para quase todos os lugares, da Europa aos Estados Unidos'', conta Bea. Não que os mosaicos paranaenses já tenham uma atividade de exportação formalizada, mas na loja que Bea montou há nove meses (Depósito da Ordem), no coração do Largo da Ordem, boa parte dos seus clientes é formada por turistas estrangeiros. ''Os brasileiros ainda não descobriram o mosaico como uma peça preciosa. O que para os brasileiros é caro, para os estrangeiros é arte e sai de graça'', diz a mosaicista.
Também apaixonada pela técnica, Bea se encantou pelos mosaicos numa viagem a Barcelona (Espanha), conhecendo as obras de Gaudi. De volta ao Brasil, a gaúcha radicada em Curitiba procurou quem pudesse ensinar a técnica e para sua surpresa não encontrou ninguém. Num mergulho autoditada, ela própria passou a se aperfeiçoar lendo livros estrangeiros (''As revistas nacionais ensinam muitas téncnicas erradas'', ressalta). Foi então que decidiu ensinar as diferentes técnicas de mosaico para outras pessoas e há três anos mantém um curso intensivo de mosaico. ''Pelo meu curso já passaram umas 300 pessoas'', estima.
A intensa procura motivou a criação da Ampap e também a vontade de expor o material confecionado por artistas até então desconhecidos. Hoje a associação já acumula cerca de 200 associados e já está promovendo a quinta edição da Mostra de Mosaicos. O evento ganha reconhecimento a cada ano. Somente no ano passado, aproximadamente 17 mil pessoas visitaram a mostra.
Este ano, as obras expostas foram divididas em cinco ambientes temáticos criados para jardim: Lúdico; Flores, Frutos e Pássaros; Águas; Místico e Simbólico e Contemporâneo. ''O mosaico contemporâneo é aquele que apresenta relevos, próprio para ser integrado à arquitetura'', esclarece Bea. Mas na exposição podem ser encontradas técnicas variadas, desde materiais que podem ser expostos ao tempo até os mais apropriados para cobrir objetos de decoração.
A técnica não prevê limites para a criatividade. Bea Pereira explica que, desde que utilizados os materiais corretos, tudo (ou quase) pode ser recoberto pela colorida técnica. ''Se bem feito, o mosaico pode durar milênios'', atesta. O mosaico realmente atravessa gerações há mais de mil anos. A arte vem desde a antiga Mesopotâmia até os dias atuais. Na passagem, deixou a função original de recobrir pisos e paredes para ganhar as mais variadas bases. Basta ter uma idéia na cabeça e algumas centenas de pedrinhas à disposição.
Serviço:
- 4 Mostra de Mosaico de Curitiba, de hoje a 9 de novembro no Museu do Jardim Botânico de Curitiba. Entrada franca.


