Tem instalação, fotografia, pintura, vídeo, escultura, desenho, objeto, performance... tem o que, para alguns, não se encaixa em nenhuma definição. O território é livre e a criação também. Na Bienal de São Paulo, a arte encontra lugar em todo canto, até mesmo onde menos se espera. O questionamento do que é ou não arte está presente em toda a viagem pelos quatro pavimentos do pavilhão Oscar Niemeyer que abrigam obras de 136 artistas de 55 países.
Com curadoria de Alfons Hug, a 26 Bienal de São Paulo aberta no domingo passado atravessa o tema ''Território Livre'' para mostrar o que se está produzindo em arte contemporânea na Letônia, na Nigéria, em Gana, na Finlândia, no Uruguai, no Brasil, em todos os continentes. Muita imagem de construção e desconstrução. Obras de grande porte e delicados objetos. Registro dos mais variados olhares do cotidiano no mundo todo.
Na 26 edição da Bienal de São Paulo, o público vai encontrar suportes muito diferentes do convencional. Coisa que não se vê em museu, das mais complexas obras ao mais simples desenho. O que é arte e o que a coloca em questão. O público vai encontrar trabalhos belos como as fotografias dos surfistas de Malibu feitas pela norte-americana Catherine Opie. Ou curiosos, como a instalação do austríaco Leo Schatzl, que traz um Fusca pendurado num suporte com cordas elásticas coloridas, logo no piso térreo do pavilhão.
Nesse mesmo pavimento estão as obras de grande porte da Bienal, como a instalação do brasileiro Ivens Machado, com estacas de madeira que mostram sinuosidade nos contornos e aberturas interiores. Presas ao teto ou espalhadas pelo chão, obras tridimensionais são apresentadas ao público logo na entrada da exposição. O vão do primeiro pavimento também permite a acomodação das mais variadas formas e tamanhos de obras. A escultura do avião criada pelo chinês Cai Guo Qiang em cipó, vime, bambu, tesouras, estiletes e outros instrumentos cortantes e luminárias, é uma delas.
No segundo pavimento, a luminosidade destaca a pintura, que ganha espaço nesse momento em que a Bienal busca sua revitalização. Está lá a obra colorida da brasileira Beatriz Milhazes, que faz uma composição com decalques em acrílica sobre tela, criando elementos tropicais e figuras geométricas. No mesmo plano, do lado oposto, a luz escassa é propícia para as videoinstalações mostradas no espaço chamado de multiplex. É lá que os Neistat Brothers, dos Estados Unidos, exibem produções que trazem armadilhas para ratinhos brancos ou peixes ''eletrocutados'' no aquário.
No terceiro piso, salas climatizadas, a sala especial que homenageia o pintor Cândido Portinari, a ''nova casa'' do brasileiro Paulo Bruscky, que carregou seu atelier de Recife e o montou inteiro, em detalhes, na Bienal. Nas rampas de acesso, outras criações atraem a atenção do visitante, que se perde nas contas do brasileiro Paulo Climachauska, aquele que desenha prédios com linhas formadas pela subtração de números, feitas manualmente com caneta sobre a parede. Tem atração para muito mais de duas horas de passeio tempo mínimo indicado para a visitação.
Já na primeira semana de exposição, as interferências inesperadas apareceram na Bienal. Teve obra pichada, pisada. Falta de educação? Interatividade? Metáforas, símbolos e conceitos devem permear o evento até seu final, em dezembro. A 26 Bienal de São Paulo, uma das maiores do mundo, também deve ser considerada este ano o evento de arte contemporânea mais visitado do mundo. Com entrada gratuita, a Bienal deve atingir mais de um milhão de visitantes, superando as 670 mil pessoas da edição passada.

Serviço:
- 26 Bienal de São Paulo. Até 19 de dezembro, no Pavilhão Oscar Niemeyer do Parque Ibirapuera (portão 3). Visitação: de segunda a quinta-feira, das 9 às 22 horas (quem chegar no final só poderá ficar no recinto até 23 horas), sextas, sábados e domingos, das 9 às 23 horas. Entrada franca. Informações: (11) 5574-5922 (opção 4).

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