VISUAIS - As 'Duas Cidades' de João Câmara
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domingo, 25 de abril de 2004
Leandro Donatti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - ''Um figurativo obstinado.'' É assim que se classifica o pintor paraíbano João Câmara, que está expondo no Museu Oscar Niemeyer (MON) até o dia 20 de junho. A exposição, aberta no dia 22 de abril, reúne 52 obras do artista, dentre pinturas e objetos, que retratam as cidades de Recife e Olinda sob sua ótica, bastante subjetiva, misturando o real e o imaginário. ''É um passeio, uma visita imaginária a Recife e Olinda. Há um jogo entre essas duas polaridades'', disse em entrevista à Folha2. Câmara passou o feriado de Tiradentes acompanhando a montagem da exposição no MON.
A mostra de João Câmara Duas Cidades encerra uma trilogia iniciada pelo artista em 1974. A trilogia Cenas da Vida Brasileira (1974-1979), Dez Casos de Amor (1977-1983) e Duas Cidades (1987-2001) ajuda a compreender a obra do artista. ''É um ciclo que fechou. A trilogia está encerrada'', declarou Câmara, que nesse período dedicou-se também a outras obras que não cumpunham à trilogia. Duas Cidades foi a mais longa produção da série. Câmara levou 15 anos para elaborar seus objetos e imprimir cores em suas cenas alegóricas, embora não seja a maior em número de obras.
João Câmara nasceu em João Pessoa, na Paraíba, em 1944. Estudou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco e formou-se também em Psicologia pela Universidade Católica, em 1968. Já participou de diversas bienais. A primeira parte de sua trilogia foi lançada em 1976 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu de Arte de São Paulo. Em 1989, suas obras integram a exposição Os Ritmos e as Formas - Arte Brasileira Contemporânea, em Copenhage, Dinamarca. Em 1992, participa da Feira de Arte de Miami, nos EUA. Em 1999, publica o livro Originais, Modelos, Réplicas. Em 2001 conclui a terceira parte de sua trilogia.
Sobre política cultural, o pintor paraíbano já tem opinião formada. Quando questionado sobre a relação artista-governo e se, nos últimos anos, os artistas não têm dependido muito dos governos para sobreviver, João Câmara devolveu com uma pergunta: ''será que os governos sobrevivem aos artistas?''. O pintor paraíbano acredita que o governo federal tem boa intenção ao rever a Lei Rouanet, de incentivo à cultura. ''O que é positivo é que percebemos uma preocupação do ministro (Gilberto) Gil em distribuir as verbas do setor para todo o território brasileiro, descentralizando o eixo Rio-São Paulo'', avaliou.
Câmara reclamou que desde 1964 as verbas para cultura ficaram no eixo por força econômica, o que na sua avaliação foi um erro. ''Faltava uma política cultural para todo o território.'' O pintor paraíbano defendeu ainda, na sua passagem por Curitiba, o desenvolvimento de políticas institucionais para os museus espalhados pelos estados, como forma de preservar o patrimônio não apenas material como o corpo de funcionários. Câmara ficou surpreso com a estrutura do MON em Curitiba.
* Serviço:
Exposição Duas Cidades de João Câmara, no Museu Oscar Niemeyer ( Marechal Hermes, nº 999, Centro Cívico), em Curitiba. Visitação de terça a domingo, das 10 horas às 20 horas. Ingressos: R$ 4,00 (adultos) e R$ 2,00 (estudantes). Crianças de até dez anos, maiores de 60 e grupos de estudantes pré-agendados não pagam. Agendamento prévio para escolas pelo endereços: [email protected]. Nas terças, os ingressos são franqueados


