Curitiba - A divulgação parece mesmo não ser o forte do Museu Oscar Niemeyer (MON). Mais uma vez o museu, inaugurado no fim do governo Jaime Lerner (PSB) com o objetivo de integrar-se ao circuito internacional de exposições no Brasil, abre uma exposição quase na surdina. A instituição enviou apenas ontem nota à imprensa notificando a abertura, que ocorreu ontem mesmo, da exposição ''Victor Meirelles - Um artista do Império''. A mostra de um dos artistas mais importantes do século 19 merecia atenção maior.
Mas foi assim também com a exposição que trouxe obras de Auguste Rodin, que deixaram o museu para ser substituída pela exposição atual. As obras de Meirelles vêm ao Paraná sob curadoria da museóloga Mônica Xexéu. São trabalhos que há um século não eram mostradas ao público, conforme afirmou a curadora em pequeno release enviado à imprensa. As telas mostram fatos marcantes da história do Brasil Império através da ótica do pintor.
Victor Meirelles de Lima nasceu em Florianópolis, Santa Catarina, em 1832. Filho de imigrantes portugueses era um menino pobre, mas viu sua vida mudar depois de ganhar uma bolsa para frequentar a Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, aos 14 anos. Seis anos mais tarde, o precoce pintor ganharia outro prêmio, com a tela ''São João Batista do Cárcere'', em 1852, dessa vez com direito a estudar da Europa.
Uma das obras mais conhecidas do pintor é ''Primeira Missa no Brasil'', reproduzida à exaustão em cadernos, selos e livros escolares por anos. A famosa tela, no entanto, não integra a mostra em Curitiba, pois está em processo de restauração, mas o público que visitar a exposição vai poder conhecer estudos que antecederam a obra.
A mostra é dividida em três fases: a primeira vai de 1846 a 1852, que começa com o artista na adolescência até a conquista do prêmio que o levou a estudar na Europa. A segunda de 1853 a 1861 mostra a fase européia do artista, o contato com obras de grandes mestres e o convívio em centros europeus que determinavam a formação dos jovens talentos. Esta fase termina com a consagração internacional em que ele apresenta a ''Primeira Missa no Brasil'', no Louvre/1861.
A terceira é fase da volta ao Brasil como artista consagrado de 1861 a 1903, tornando-se um dos grandes nomes da arte brasileira do século 19 e responsável pela formação de inúmeras gerações de artistas brasileiros.
Fazem parte da exposição, obras que não são apreciadas pelo público em geral há 100 anos, como as telas ''Tarquínio e Lucrécia'' (1855/1856); ''Apresentação do anel'' (1855) e alguns desenhos que foram expostos em homenagem à morte do artista, em 1903.

Serviço:
- Exposição ''Victor Meirelles - Um artista do Império''. A partir de hoje até 14 de março no Museu Oscar Niemeyer (MON), no Centro Cívico, em Curitiba.

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