Santo de casa não só faz milagre como aparece também em território estrangeiro. É o que acontece com o muralista brasileiro Lucilio Belluno.
Pintor há quase três décadas, o artista luta pelo reconhecimento no seu próprio país, enquanto acumula obras no exterior. Assinou murais em Portugal, Canadá e acaba de deixar uma obra no México. De volta ao Brasil e radicado temporariamente em Santa Catarina, Belluno procura no interior do Paraná espaço para montar o seu ateliê. ''Eu tenho muita vontade de pintar. Se alguém me dá uma parede, eu pinto'', conta Belluno.
E foi em busca de suporte e apoio para seu trabalho, que o artista já viajou quase o mundo todo. Confessa ter preferências pela técnica que consagrou nomes como Diego Rivera, no México, mas salienta a dificuldade de lidar com o suporte, principalmente por causa do pigmento utilizado e do tempo restrito para realizar esse tipo de trabalho. Pintar um mural é diferente de pintar um quadro. O artista trabalha como um verdadeiro mestre de obras e faz com que o motivo da pintura se misture ao próprio suporte. ''Mas se o trabalho for bem feito é capaz de atravessar gerações, enquanto a pintura com tinta industrial dura no máximo 30 anos'', explica.
Para pintar os murais, o artista prepara o próprio pigmento. ''Em algumas cidades tenho dificuldade para conseguir uma área de trabalho, que deve ser ampla'', explica. Os murais assinados por ele fora do país começaram a ser produzidos na década de 90. Em 1997, ele pintou um mural sobre as danças portuguesas no Algarve, região do Sul de Portugal. ''É um mural de 2 m por 1,10 cm, pintado a cal'', lembra.
No mesmo ano, viajou para o Canadá, onde pintou um mural em homeagem ao ótimo e renegado saxofonista brasileiro Raul de Souza. ''Um tesouro nacional'', conforme classifica o próprio Belluno. O artista se esmera não só nas cores e processos do trabalho, mas também dedica atenção especial para escolher a temática de seu trabalho.
Este ano, por exemplo, dedicou o mural que deixou no Canadá a Louise Treadwell Trace (1896/1983). Ele conheceu o trabalho de Louise por meio da imprensa e decidiu se aprofundar no legado da educadora. Casada com o ator Spencer Tracy, ela teve um filho surdo (John Tracy). Cansada de procurar resposta e auxílio na medicina convencional, Louise desenvolveu o próprio método para se comunicar com o filho e fazer com que a criança se comunicasse com o mundo. ''Ela deixou um trabalho extraordinário para a sociedade'', salienta Belluno que por esse motivo resolveu homenageá-la com a obra ''Encontro de tuiuiús com Louise Tracy no México''.
O mural foi pintado em agosto. Cada trabalho do muralista leva cerca de três dias para ser concluído, depois de um trabalho diário de sete a oito horas.
''Quando se pinta um afresco é preciso levar em consideração que a massa vai secar rápido. Mas se o trabalho estiver senfo feito com tinta acrílica, pode ser feito em mais tempo, com uns dez dias mais ou menos'', diz. O custo, conforme ressalta Belluno, é irrelevante. ''Não existe como mensurar o preço de um mural'', acredita.
O artista aproveita as viagens que faz pelo mundo para estudar técnicas que possam aprimorar o seu trabalho. Como autoditada investiga os processos de pinturas italianas utilizados desde o século 14 e também coleciona livros técnicos pelas cidades por onde passa. Belluno prefere não revelar como consegue fundos para as suas viagens, nem como realiza os contatos no exterior. ''A gente não pode contar como se dança'', brinca. Mas confessa estar cansado de viajar tanto. Ainda este ano deve fixar ateliê no interior do Paraná para pode se dedicar ao estudo de novas técnicas.

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