Uma amostra da arte conhecida como naif ou ingênua chega a Londrina amanhã e será instalada em um ambiente inusitado: um antigo armazém com milhares de sacas de café. Dezoito obras de seis artistas brasileiros estarão expostas, sob uma iluminação especial, na sede da Cooperativa Integrada de Londrina. A exposição ''O Brasil Agrícola na Arte Naif O Campo Produzindo Arte'', promovida pela Bayer CropScience, estará aberta ao público de terça-feira a sábado.
O termo naif é usado para classificar a obra de artistas que desenvolvem um trabalho espontâneo e autodidata, sem preocupação com regras acadêmicas. Eles abordam temas variados, geralmente cenas da vida cotidiana. Os selecionados criaram obras que realçam as cores do Brasil agrícola.
Com curadoria de Jacques Ardies, a exposição faz parte de um projeto que já percorreu seis cidades brasileiras desde outubro (Brasília-DF, Rio Verde-GO, Chapadão do Sul-MT, Orlândia-SP, Guaxupé-MG e São José do Rio Pardo-SP). Depois de Londrina, segue para Campo Mourão (19 a 25 de janeiro) e Não-Me-Toque (RS).
Em meio a telas marcadas por cores vibrantes e pela riqueza de detalhes, o público poderá conhecer os trabalhos do pernambucano Ivaldo Veloso de Melo, um pesquisador do homem do Nordeste, a partir das obras ''Colheita de Banana'' e ''Feira de Flores''. Da pintora paulista Ana Maria Dias, a exposição traz telas como ''Colhedores Felizes'', ''Cacau Maduro'' e ''Trigal Dourado''. Constância Nery (SP), que atualmente é diretora da União Brasileira dos Trovadores do Paraná, apresenta sua admiração ao camponês em ''Domingo de Soja'' e ''Tomates da Fazenda Longa Vida''.
Uma atmosfera real e fantástica envolve a obra da catarinense Sonia Furtado, destacada em ''Colheita de Fumo'' e ''Seringueiros''. A mineira Vanice Ayres Leite exalta em sua arte o movimento da figura humana, ressaltando os trabalhadores rurais e traçando um perfil do povo brasileiro em cores quentes. Em Londrina, ela apresenta obras que retratam colheitas de melancia, de manga e de abacaxi. Outra paulista da mostra, Wilma Ramos voltou seu trabalho para o folclore brasileiro, com base no universo popular da Bahia. Premiada em salões de arte de São Paulo, também mostra nessa exposição seu olhar para colheitas de café, laranja e mandioca.
Com a iniciativa, a Bayer visa promover a cultura nacional, destacando aspectos da agricultura brasileira e de sua própria atividade econômica.
O presidente da Cooperativa Integrada, Carlos Murate, diz que o interesse em trazer a exposição a Londrina se deve também ao fato de apresentar às pessoas dos centros urbanos a imagem rural do Brasil, caracterizando a produção do campo. ''É uma forma de mostrar o ambiente onde a cooperativa atua'', comenta. Quanto ao espaço dedicado à exposição, Murate explica se tratar de uma referência aos tempos promissores do café. ''O Norte do Paraná cresceu em função do café. Como hoje a região tem uma cultura mais voltada para a soja, o milho e o trigo, gostaríamos de levar ao público uma imagem da época do seu desenvolvimento''.

Serviço:
- Exposição ''O Brasil Agrícola na Arte Naif O Campo Produzindo Arte'' Abertura somente para convidados: amanhã, às 19 horas, na sede da Cooperativa Integrada (Rua São Jerônimo, 200, centro), em Londrina. Aberta ao público de terça a sexta-feira, das 9 às 18 horas, e sábado, das 9 às 15 horas. Entrada franca. Patrocínio: Bayer CropScience/ Lei Federal de Incentivo à Cultura.

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