Curitiba - Obras de artistas que fizeram a história do Modernismo vão estar expostas a partir de hoje, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Telas de pintores como Ianelli, Portinari e Di Cavalcanti serão reunidas numa ambientação única. Além das obras, os curadores da mostra selecionaram objetos da primeira metade do século 20 que levam o espectador a um passeio pela história, ambientado ainda por músicas de época. A mostra ''Arte Moderna em Contexto'' traz 73 obras do acervo da Coleção ABN Amro Real, formada a partir de agrupamentos de acervos de várias coleções particulares.
Tanta diversidade na coleção não assustou aos curadores, que começaram a trabalhar no projeto há um ano e meio. ''Primeiro foi feito um processo de mapeamento da coleção, depois partimos para o projeto dessa mostra'', conta Franz Manata, um dos curadores da exposição. Ele e outros três curadores, escolheram as obras que integram a mostra por alguns critérios específicos. ''Recortamos as obras tanto por artistas quanto por assuntos. Essas duas questões remetiam à primeira metade do século 20 e isso nos permitiu traçar o primeiro eixo curatorial da exposição'', revela.
Dentro dessa vertente os curadores optaram ainda por alguns segmentos distintos que traçaram um organograma muito específico para a exposição. As obras estão agrupadas por décadas (a figuração entre as décadas de 10 e 40 e a abstração depois da década 50) e também por assuntos centrais, como o realismo social, as marinhas, as festas, a natureza morta e as paisagens urbanas. Já a arte abstrata foi dividida entre a informal e geométrica. Todas essas obras foram dispostas ao lado de objetos que lembram a época em que elas foram criadas.
A contextualização das 73 obras se dá por meio da veiculação de músicas e pela inserção, em cada núcleo temático, de vitrines contendo publicações, publicidade, objetos decorativos, utilitários e fotografias que evocam o ambiente histórico-social e o contexto imaginário em que as obras foram feitas. Assim, por exemplo, pinturas figurativas, pertencentes ao realismo social, são contextualizadas por obras musicais da época, broches de propaganda política apreendidos pela Delegacia Especial de Segurança Política e Social do Estado Novo e por objetos emblemáticos da rotina dos trabalhadores brasileiros, como as tradicionais marmitas.
''São objetos que vieram de coleções importantes, como da Biblioteca Nacional, por exemplo'' explica o curador reiterando que essa ambientação não tem a pretensão de esgotar o período em questão, mas sim de instigar, de maneira subliminar, o período histórico a que eles são remetidos. Além de escolher obras e objetos que compõem a mostra, os curadores também tiveram o cuidado e o trabalho de selecionar trechos de obras musicais que funcionam como uma trilha sonora da exposição.
Integram a mostra, obras dos artistas Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, André Lhote, Anna Letycia Quadros, Antônio Henrique Amaral, Arcangelo Ianelli, Arthur Luiz Piza, Candido Portinari, Carlos Bracher, Carlos Scliar, Carybé, Cícero Dias, Clóvis Graciano, Darel Valença Lins, Domenico Calabrone, Edith Behring, Emanoel Araujo, Emiliano Di Cavalcanti, Farnese de Andrade, Fayga Ostrower, Flavio-Shiró, Francisco Rebolo, Fulvio Pennacchi, Giovanni Batista Castagneto, Iberê Camargo, Ivan Moraes, Ivan Serpa, John Graz, José Pancetti, Kichizaemon Takahashi, Kiodi Tomioka, Lívio Abramo, Manfredo Souzanetto, Manabu Mabe, Manoel Santiago, Maria Bonomi, Maria Polo, Maria Tereza Vieira, Marilia Rodrigues, Milton Dacosta, Orlando Teruz, Renina Katz, Roberto Burle Marx , Sekiguchi, Sonia Ebling, Tadashi Kaminagai, Thereza Miranda, Tikashi Fukushima, Tomie Ohtake, Yoshiya Takaoka, Yutaka Toyota.
Algumas das obras desses artistas foram reproduzidas em relevo, o que dá a possibilidade de portadores de deficiência visual participarem da exposição. ''Isso faz parte do nosso projeto educativo que integra a mostra'', explica Manata. Uma natureza morta de Aldo Bonadei, uma marinha de Ianelli e uma figura geométrica de Milton Dacosta estão entre as obras reproduzidas em relevo e que podem ser tocadas pelos visitantes.
O programa educativo da exposição também promove, por meio de uma série de dinâmicas interativas e sempre a partir dos conhecimentos que os alunos já possuem, a possibilidade de relacionar as obras da exposição com os grandes momentos da história brasileira contemporânea, fazendo interligações com a literatura, a matemática, a fotografia, o teatro, a cultura popular e a política, entre outros assuntos.
A mostra ''Arte Moderna em Contexto'' já foi apresentada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e em São Paulo, no edifício-sede do Banco Real. Depois de Curitiba, segue para Recife e Belo Horizonte. A exposição está sendo realizada com apoio do Ministério da Cultura, por intermédio da Lei Rouanet. Além de Franz Manata, a exposição tem curadoria de Fernando Cocchiarale, Luiz Antônio Ewbank e coordenação geral de Elly de Vries, curadora da coleção.

Serviço:
- Mostra ''Arte Moderna em Contexto'', da Coleção ABN Amro Real. Em cartaz a partir de hoje até 25 de fevereiro, de terça a domingo, das 10 às 18 horas no Museu Oscar Niemeyer. Os ingressos custam R$ 4,00 e R$ 2,00, sendo que crianças até 12 anos, maiores de 60 anos e alunos de escolas públicas com visitas pré-agendadas têm entrada gratuita. O Museu Oscar Niemeyer fica na Rua Marechal Hermes 999, Centro Cívico. Informações pelo telefone: (41) 3350 4400,

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