VISUAIS - Arte inspirada na fé
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terça-feira, 06 de abril de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Aos 11 anos o artista plástico David Wang viu a figura do Cristo crucificado pela primeira vez. Ele ainda estava morando em Taiwan, província da China, e foi levado a uma igreja católica. Naquela época, não gostou do que viu. Ficou chocado com a figura de um homem preso à uma cruz: era muita dor e sofrimento juntos. No seu país de origem é comum o culto aos antepassados mortos, e reverenciar uma imagem que representa o filho de Deus também era algo muito novo e estranho. Hoje, aos 39 anos, David Wang é admirador e adepto do cristianismo, e está fazendo uma das obras mais importantes da sua carreira. Está pintando um quadro sobre a Paixão de Cristo trabalho que foi iniciado em novembro do ano passado.
A obra, de 250cm X 200cm, não chama a atenção apenas pela sua dimensão, mas pela força da sua temática. O quadro ainda não está pronto: faltam finalizar o alto e a parte inferior da tela. O trabalho é uma releitura fiel do grande mestre neoclássico William Adolph Bouguereau (1825-1905) e inclui as figuras de Maria, consolando o discípulo Tiago, de costas à imagem do Cristo sendo açoitado por um soldado romano; Caifás o Sumo Sacerdorte dos hebreus; diversos judeus, incluindo uma criança judia, e a imagem do rosto de Bouguereau um auto-retrato, representando a única figura que não está olhando para Cristo, e que parece nos instigar a continuar prestando atenção ao foco principal do quadro: o sofrimento do filho de Deus.
Na semana de estréia do polêmico filme de Mel Gibson, ''A Paixão de Cristo'', no início de março, Wang assistiu ao filme. Contou que não resistiu e chorou muito. Considera que a violência foi exagerada, mas acredita que ela foi necessária. ''É uma maneira de chamar a atenção das pessoas, fazer com que as pessoas reflitam sobre o assunto. Isso faz parte do trabalho artístico'', destacou Wang, que considerou uma grata coincidência o seu mais recente trabalho tratar do mesmo tema do filme. ''E, sinceramente, o que mais me chamou a atenção no filme foram os 'olhos de Cristo' que expressaram sua extrema misericórdia'', acrescentou.
O Cristo de David Wang tem a pele bastante clara e parece estar muito sensível aos açoites que está passando. David explica que a técnica neoclássica que marcaram o final do século XVII e o início do século XIX , ainda dentro do conceito do romantismo, exige extrema dedicação aos detalhes para uma reprodução realista das figuras. Segundo o artista, atualmente a técnica não está sendo muito valorizada, com o mercado preferindo obras modernas, que não exigem tanta técnica. ''Vivemos a época da tecnologia e da falta de tempo, e acho que esses fatores contribuem para a desvalorização do neoclassicismo, que exige dedicação extrema. Sou contra essa tendência e me dedico a expandir o conhecimento sobre essa técnica'', afirmou Wang.
Formado em artes plásticas pela Fundação Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo, há um ano Wang está se dedicando exaustivamente ao desenvolvimento da técnica neoclássica, utilizando a técnica conhecida como veladuras, que foi usada pelos grandes mestres do Renascimento. O artista também destaca-se na pintura milenar chinesa, denominda sumiê, que é baseada nos ideogramas chineses; e em pinturas contemporâneas, com trabalhos figurativos, mas com ângulos e enquadramentos diferenciados e modernos.
Morando em Londrina há 13 anos, David Wang já atuou na área empresarial e hoje dedica-se exclusivamente às artes plásticas. Tem uma galeria de artes no Edifício Twin Towers e está organizando a abertura de mais uma na esquina das ruas Goiás e Santos. No local, irá funcionar a galeria e um restaurante de comida chinesa, também especialidade do artista.
Aos domingos, o trabalho artístico de Wang pode ser conferido durante os cultos das 10 horas da 1 Igreja Presbiteriana Independente de Londrina (1 IPI), localizada na Rua Mato Grosso, 806. Durante os 45 minutos de culto, o artista faz uma pintura sobre o tema que será abordado na pregação. No domingo, 28 de março, o tema foi a lavagem dos pés dos discípulos. No último domingo, a crucificação de Jesus foi debatida; no próximo, a sua ressurreição.


