Curitiba - Não é assim uma exposição do tipo ''Guerreiros de Xi'an'', de encher os olhos e o coração, mas não se pode desprezar a centena de obras que compõem a mostra ''Novecento Sudamericano'', que abre hoje no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. A atenção sobre a exposição tem pelo menos duas boas justificativas: trata-se de uma material histórico, que retrata parte do século XX e seus conflitos sob a ótica de artistas italianos, uruguaios, argentinos e brasileiros.
O outro motivo é que as obras, inéditas do Brasil, reabrem o museu, fechado há quatro meses, com a missão de abrir um precedente para boas exposições e colocar, finalmente, o badalado prédio no circuito internacional de mostras que vêm ao Brasil.
A primeira tentativa nesse sentido a de trazer a mostra Guerreiros do Xi'an e Tesouros da China, que ficou em cartaz em São Paulo reunindo 817 mil visitantes falhou. Por isso, o governo está apostando todas as fichas na mostra que veio da Itália. O preço negociado para trazer a exposição foi bem mais módico do que o que estava sendo cogitado para trazer a mostra chinesa. O governo desembolsou R$ 167 mil para receber a exposição italiana, já incluindo seguro. Enquanto a mostra chinesa, custaria, por baixo, R$ 1,8 milhão.
Quando anunciou a exposição italiana, no final de junho, a primeira-dama e diretora do MON, Maristela Requião, explicou que o valor modesto pôde ser praticado graças à uma parceria entre o governo paulista e de Minas Gerais, que dividiram os custos da mostra absorvendo a agenda da exposição. De Curitiba, onde fica por cerca de um mês, a mostra seguirá para capital paulista e depois para Belo Horizonte.
''Novecento Sudamericano'' é um retrato do século XX feito por diversos artistas, entre eles os brasileiros Di Cavalcanti (1897 - 1976), Tarsila Amaral (1886 - 1973) e Portinari (1903 -1962); os argentinos Antoni Berni (1905 - 1981) e Enrique Borla (1900 - 1956); o uruguaio Gilberto Bellini (1908 - 1935) e os italianos Ottone Rosai (1895 - 1957) e Mário Sironi (1885 - 1961). As obras fazem parte do acervo de cerca de 40 instituições italianas.
Algumas, no entanto, foram produzidas para o Brasil. Como é o caso dos estudos preparatórios do brasileiro Candido Portinari para os painéis que ocupam a antiga sede do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro.
As obras, cerca de 150, passaram uma temporada expostas no Palazzo Reale, em Milão, e chegam pela primeira vez na América Latina. Além de Portinari, Tarsila e Di Cavalcanti, a mostra conta com obras dos também brasileiros Vittório Gobbis; Fulvio Penacchi; Carlos Prado; Francisco Rebolo Gonzáles; Paulo Rossi Osir e Alfredo Volpe (veja no quadro os outros artistas que compõem a mostra). ''Novecento Sudamericano'' tem curadoria de Tadeu Chiarelli e Diana Wchsler.
Paralelo à exposição ''Novecento Sudamericano'', que ocupa três grandes salas do museu, o MON também abriga a mostra ''Um olhar sobre a arte paranaense'', com curadoria de Jair Mendes. São 80 telas de artistas paranaenses, numa tentativa de realizar uma retrospectiva histórica da pintura no Estado, começando com Alfredo Andersen até chegar em artistas contemporâneos, como Fernando Velozzo.
Para visitar as duas mostras, o público terá que desembolsar R$ 2,00, um preço simbólico segundo a assessoria do governo. Maristela Requião já havia adiantado à Folha de que o museu passaria a cobrar ingressos por uma questão de ''segurança das obras e dos visitantes''. O dinheiro arrecadado será revertido para manutenção do próprio museu.

‘‘Sol Poente’’, de Tarsila do Amaral e ‘‘Santa’’, de Alfredo Volpi, integram a exposição ‘‘Novecento Sudamericano’’, que traz a Curitiba trabalhos inéditos no Brasil

Serviço: ''Novecento Sudamericano'', obras de artistas italianos, uruguaios, argentinos e brasileiros. Museu Oscar Niemeyer (MON) - Praça Nossa Senhora da Salete, s/n. Ingressos a R$ 2,00. Abertura para o público a partir de hoje. Visitas de terça-feira a domingo, das 13h30 às 19 horas.

mockup