VISUAIS - Arte com sotaque latino-americano
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terça-feira, 02 de agosto de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A temática social, eclipsada em outras linguagens artísticas, permanece viva em boa parte da gravura produzida na América Latina. A tendência vigora na mostra ''Grabados e Gravuras Aspectos da Gravura no Acervo Olho Latino'', que será inaugurada amanhã em Londrina na Sala de Exposições da Casa de Cultura da UEL.
A exposição reúne trabalhos de artistas como a brasileira Maria Bonomi, o mexicano Ernesto Mallard e a argentina Alda Maria Armagni. Ao todo, são 23 nomes representativos de dez países. A curadoria é de Paulo Cheida Chans, professor da Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas (SP) e criador do Museu de Arte Contemporânea Olho Latino.
É desse Museu, aliás, que vêm o acervo para a Exposição. Paulo o fundou em 2001 com a artista plástica Celina Carvalho, doando 400 obras, a maioria gravuras. Através dele, o casal desenvolveu projetos e eventos significativos em parceria com instituições sem interesse comercial. Entre as realizações figuram a Bienal do Esquisito, Bienais Internacionais de Gravura, Bienais Nacionais e Bienais Latino-Americana de Gravura.
''Grabados e Gravuras'' é outra iniciativa com chancela do Museu. A mostra já circulou por várias cidades brasileiras, além do Canadá. A edição que chega a Londrina reúne obras de edições anteriores e trabalhos inéditos, apresentando-se como uma síntese da gravura latino-americana. Além dos três artistas acima citados, o painel traz obras de nomes consagrados como o equatoriano Fernando Torres (''Prêmio Aquisição'' de Gravura na Trienal Inter Grafik, na Alemanha, em 1976), o porto-riquenho Néstor Millán (Professor do Departamento de Belas Artes da Universidade de Porto Rico e detentor do ''Prêmio Aquisição'' do Primeiro Certame de Artes Plásticas realizado pelo Museu de Arte Contemporânea de Porto Rico, em 1991), a mexicana Letícia Ocharán (morta em 1998, foi crítica de arte e presidente da Associação de Artistas Plásticos do México) e a argentina Luisa Reiner (morta em 2000, possuía inúmeros prêmios, entre os quais o 1º Prêmio no XXXI Salão Nacional de Gravura da Argentina).
Não menos respeitável, o elenco brasileiro traz trabalhos de artistas como Joaquim Gimenes Salas e Henrique Spengler, ambos mortos. O primeiro, falecido em 1983, era natural de Atibaia/SP. Seu currículo destaca participações em duas Bienais Internacionais de São Paulo e da Bienal Latino-Americana de Porto Rico. Já Splenger, morava em Coxim, no Mato Grosso do Sul, onde era o Diretor Cultural da Prefeitura. Era formado em Artes pela FAAP (São Paulo) e pós-graduado em História da Arte. Era membro ativo de associações em favor da cultura indígena. Artista original, desenvolvia uma técnica em gravura pouco conhecida chamada ''Cotton''. Morreu assassinado em março do ano passado.
Também com trabalhos na Mostra, Celina Carvalho participou de várias mostras no Brasil e exterior incluindo países como França, Inglaterra, Canadá, Romênia e Espanha. O curador Paulo Cheida Sans, por sua vez, também apresenta suas próprias gravuras na exposição. Professor da Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas, ele iniciou a carreira em meados da década de 60. De lá para cá, conquistou diversos prêmios, alguns deles em países como a França, Portugal e Estados Unidos.
Amanhã, às 19h30, na abertura da Mostra, ele dará uma palestra sobre a arte da gravura e o Museu Olho Latino na Casa de Cultura. A exposição ficará aberta para o público até o dia 28 desse mês.
Serviço:
- Abertura da Exposição ''Grabados e Gravuras - Aspectos da Gravura no Museu Olho Latino''. Amanhã, às 19h30. Local: Sala de Exposições da Divisão de Artes Plásticas/Casa de Cultura (Rua Mato Grosso, 537, esquina com a Av. Celso Garcia Cid), em Londrina.


