A africanidade exposta em figuras que mostram a beleza do negro, do cotidiano da periferia e da boemia, ganha destaque na exposição individual que o artista plástico Agenor Evangelista inaugura hoje na Casa de Cultura José Gonzaga Vieira. O evento começa às 20 horas e a mostra, que teve curadoria de Fernando Martinez e Sandra Jóia, do Museu de Arte de Londrina, segue até o dia 26.
Celebrando 30 anos dedicados à arte, Evangelista irá expor 30 trabalhos inéditos de pintura em acrílico e desenho em grafite sobre papel, além de algumas telas também em acrílico. ''É uma vida dedicada exclusivamente à arte. Se não pinto, não tenho como sobreviver. E não considero a exposição uma retrospectiva porque isso, para mim, teria uma conotação póstuma e ainda estou na ativa'', afirmou o artista.
Mesclando - conforme suas próprias palavras - ''as cores de Di Cavalcanti com a influência social de Portinari'', Evangelista se considera um artista da boemia. ''Não sou artista de galeria ou de salões de arte. Pinto em qualquer lugar e sou bastante bairrista e envolvido com questões sociais, como a do movimento negro'', disse.
De origem humilde, foi na infância que Evangelista começou a demonstrar talento artístico. Estimulado pelo pai a não fazer cópias de desenhos e sim a fazê-los a partir de observação, o artista também contou com o apoio de Pilar Alves Mendes, que hoje é a fundadora da Casa de Cultura José Gonzaga Vieira.
Na época, cerca de 41 anos atrás, Pilar era professora primária de Evangelista no Grupo Escolar Willies David e foi ela quem primeiro percebeu que os cadernos caprichados do aluno, que já esboçava os primeiros desenhos, escondia um talento maior. E não demorou para que a professora desse a ele a primeira coleção de livros da sua vida e também cartolinas e material de pintura. ''Eu não tinha condições de comprar essas coisas e ela foi uma grande incentivadora para o meu desenvolvimento artístico'', comentou.
Aos 27 anos, Evangelista ingressou no curso de Arquitetura pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mas abandonou o curso no penúltimo ano devido a dificuldades com as disciplinas de cálculo e física. ''Apesar de não ter concluído o curso, foi uma grande experiência ter passado pela universidade. O meu universo artístico se abriu. Tive acesso a muitos livros e artistas importantes.''
Em 1977, realizou a sua primeira exposição na Semana Cultural do Sistema Maxi-Positivo. Em 1984, conquistou o segundo lugar no concurso de capa telefônica da Telepar; sendo que no ano seguinte também garantiu a premiação de primeiro e segundo lugares no mesmo concurso. O seu trabalho artístico também foi reconhecido em 1987, quando foi premiado no Salão de Maringá e recebeu medalha de ouro no Salão Portinari, de São Paulo. Em breve, a aquarela ''Cinco Conjuntos'' do artista também irá estampar uma série de cartões telefônicos da Sercomtel.
Atuando há 22 anos no Movimento Negro, atualmente Evangelista também está organizando a 22 Mostra Afro-Brasileira Palmares, que acontece de 16 de novembro a 10 de dezembro, na Vila Cultural Cemitério de Automóveis (R. João Pessoa, 103). Além disso, o artista se prepara para a exposição individual e coletiva (juntamente com os artistas Flávia Zeferino e Bhall Marcos) que irá realizar ano que vem no Japão.

SERVIÇO:
- Exposição individual de Agenor Evangelista
Quando - De hoje, às 20 horas, até o dia 26
Onde - Casa de Cultura José Gonzaga Vieira, na Av. Higienópolis, 1.910
Quanto - A entrada é franca.

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