VISUAIS - A poesia da obra de NIEMEYER
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sábado, 04 de agosto de 2007
Eduardo Kattah<br> Agência Estado 
O arquiteto Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake, recorre ao antropólogo e educador Darcy Ribeiro (1922-1997) para destacar a magnitude da obra de Oscar Niemeyer, que em dezembro completa 100 anos. Darcy Ribeiro costumava dizer que Niemeyer, ao inaugurar uma nova linguagem e lançar bases para a arquitetura moderna no mundo, provavelmente será o único brasileiro do nosso tempo a ser lembrado no século 30. É essa concreta dimensão profissional e pessoal que permeia a exposição itinerante ''Oscar Niemeyer Arquiteto Brasileiro Cidadão'', que foi aberta esta semana, no Palácio das Artes e também no Museu de Arte da Pampulha (MAP), em Belo Horizonte.
Não por acaso a mostra, organizada pelo Instituto Tomie Ohtake em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) começa pela capital mineira. Foi ao projetar o conjunto de prédios da Pampulha (a convite do então prefeito Juscelino Kubitschek, em 1940), que Niemeyer, então com 33 anos, desenvolveu seu primeiro trabalho individual e balançou os pilares da arquitetura, ganhando projeção internacional.
Em torno da lagoa artificial, as curvas e sinuosidades das edificações (a Igreja S. Francisco de Assis, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube e o antigo Cassino, onde funciona hoje o MAP) foram recebidas, a princípio, com um misto de admiração e críticas pela conservadora sociedade mineira.
Mas, como lembra o curador da mostra, Marcos de Lontra Costa, o conjunto se consolidou mais tarde como a ''identidade da capital'', sendo fundamental na definição de uma vertente arquitetônica conhecida no exterior como ''Estilo Brasileiro''.
''Com essa obra ele abriu uma perspectiva para a arquitetura moderna que estava surgindo no mundo. Era uma arquitetura muito ligada à indústria. Havia uma prevalência de linhas retas e octogonais'', acrescenta Ohtake, que aproveita a abertura da mostra para lançar o livro ''Oscar Niemeyer'' (Publifolha).
Ao abordar o projeto do Centro Administrativo de Minas - a maior obra do governo Aécio Neves, ainda em fase de licitação, que custará cerca de R$ 900 milhões -, a mostra faz um percurso completo sobre as obras de Niemeyer na capital mineira, ressaltando sua preponderância na produção do arquiteto ''É uma obra que o Oscar gosta muito, preza muito. Ele está louco para que se construa, quer ver pronto'', ressalta Ohtake.
Conforme os organizadores, no MAP, a tônica da mostra será o ''aspecto poético'' da obra de Niemeyer e ''os fragmentos mais representativos de sua produção arquitetônica, expandidos, em formato tridimensional''.
Maquetes e instalações em grande escala servirão para destacar recortes significativos de obras como o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, em Brasília; as curvas do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ), do edifício Copan (SP), entre outras. O curador procurou ressaltar o ''diálogo'' da produção do homenageado com a artistas plásticos brasileiros: Portinari, Bruno Giorgi, Alfredo Ceschiatt, Franz Weissmann e outros.
No Palácio das Artes, a exposição terá tom mais documental e histórico, com ênfase na ação política e intelectual de Niemeyer e as principais fases de sua criação, contadas por meio de textos, fotografias, desenhos, maquetes e ampliações fotográficas. A mostra foi dividida em cinco módulos, que representam o pensamento do arquiteto traduzido na sua produção estética. De Belo Horizonte, a exposição passará pelo Rio, por Curitiba, Brasília e São Paulo.


