VISUAIS - A memória como fio condutor
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba Avelãs caindo das árvores, formando um desenho abstrato no chão, iluminado pelo sol. Essa imagem, associada a uma melodia sobre esse frutos faz parte da memória da artista plástica japonesa Kimi Nii. E foi essa lembrança que a inspirou a desenvolver a série Donguri, com 81 esculturas feitas em cerâmica e madeira. A mostra pode ser vista a partir de hoje, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. São peças que variam de 30 centímetros a quase de 3 metros de altura, todas inspiradas na canção infantil Donguri, koro koro, donguri ko... que significa avelãs rolando... rolando...
Nascida em Hiroshima, no Japão, em 1947, a artista mora no Brasil desde os 10 de idade, mas conserva a origem japonesa em suas delicadas obras. Kimi trabalha com cerâmica desde a década de 70 e para essa exposição, mostrada pela primeira vez em 2005, desenvolveu também alguns trabalhos em madeira, o que é inédito na sua obra. Um exemplo é a peça Giroforma, que como a própria artista define parece um grande pião de madeira. Eu tenho essa lembrança afetiva das avelãs rolando, da música que é uma onomatopéia de algo girando e essa primeira peça eu fiz inspirada nisso. As outras foram seguindo esse tema, conta.
A artista revela que, com a mostra, quis reproduzir em obras a infância vivida no Japão e que ela ainda guarda fortes memórias. Kimi mora em São Paulo há mais de quatro décadas, mas não deixou suas origens de lado em nenhum momento de sua carreira. Ela começou a expôr seus trabalhos a partir da década 80. A primeira mostra foi na galeria de Mônica Filgueiras. Depois, participou de coletivas e realizou individuais em outras galerias paulistanas, como Nara Roesler, Raquel Arnaud e Deco, além de duas mostras individuais em Tóquio. Kimi Nii também é designer e sempre está presente nas principais exposições nacionais e em eventos internacionais, representando o Brasil.
Ela não conhecia Curitiba, até o ano de 2005, quando foi convidada a expor no Empório Santa Clara. De lá para cá já vim para a cidade cinco vezes, conta, empolgada. Curitiba é uma cidade limpa e moderna, define. Ela também elogia o Museu Oscar Niemeyer, onde está expondo pela primeira vez. Ontem (anteontem) faltavam alguns detalhes para a montagem, mas acho que está tudo resolvido, disse. A mostra abre hoje para o público.
Além das peças inspiradas nas memórias de infância da artista, a exposição conta ainda com outra série Diamantes, constituída de relevos de parede, feitos em cerâmica com formas pontiagudas, dispostos de maneira contínua em grande painel, ou divididos em pequenos grupos.
Para cada peça, a artista dedica quase um mês, principalmente por causa da delicadeza das obras e do processo lento de secagem. Mas a artista revela que confecciona várias peças ao mesmo tempo, o que confere dinamismo à sua produção. Enquanto a mostra Donguri fica em cartaz em Curitiba, por exemplo, ela já prepara outra séria Encaixes Afetivos, em que brinca com peças de cerâmica que se encaixam. As peças ainda não tem data para serem concluídas mas devem ser mostradas na Pinacoteca de São Paulo.


