Curitiba Peças da artista plástica e ceramista japonesa Kimi Nii estão expostas pela primeira vez em Curitiba. São mais de 200 objetos entre utilitários e decoração que integram o acervo da artista. Kimi nasceu em Hiroshima, no Japão, em 1947. Dois anos após a bomba atômica. Na época do trágico acontecimento, a família dela havia saído da cidade para visitar parentes próximos e escaparam do ataque. Quando Kimi tinha nove anos, toda a família se mudou para o Brasil. Mas a influência oriental, o zen budismo e as lembranças do seu país natal permanecem presentes na obra da artista.
''O zen budismo por exemplo, consegue captar a essência das coisas. Vai direto ao assunto, sem floreios. Tento fazer isso em minha obra'', diz Kimi. Formada em Desenho Industrial, ela também utiliza a precisão das linhas geométricas para criar os seus objetos. ''A natureza também tem um papel importante e influencia as minhas obras. Por mais que uma flor tenha formatos diferentes, seu desenho sempre vai ser preciso'', exemplifica
Flores naturais inspiraram a série ''Bromélias'', uma das das séries de peças em cerâmica que a artista expõe em Curitiba. Kimi começou a trabalhar com cerâmica na década de 70, inicialmente como um hobby. ''Eu comecei a fazer um curso para iniciantes. Fiz um vaso, dois e me encantei com o processo de criação'', revela. Hoje, a cerâmica queimada em alta temperatura é a principal matéria-prima da artista, que já expôs no Japão, Espanha, Canadá e Itália, além de diversas cidades brasileiras.
''No começo da minha incursão pela cerâmica projetei e executei artesanalmente conceitos que aprendi na escola como o desenho limpo e forma pura, aliados à necessidade. Eram esculturas de formas geométricas, racionais, que tentava impor à difícil técnica e processo da cerâmica de alta temperatura'', revela a artista, complementando que ''aos poucos, fui aprendendo uma lição de humildade: aliar a minha vontade às propriedades do fogo, água, ar e terra, e tirar proveito disso''.
A artista lembra que a técnica foi desenvolvida pelos chineses há mil anos. Um exemplo deste trabalho é a porcelana. No processo, a temperatura pode atingir 1.300 graus centígrados o que permite um visual diferente e uma peça mais resistente. ''A cerâmica é aconchegante e pode decorar qualquer ambiente, mas no Brasil as pessoas ainda precisam ser educadas para apreciar a cerâmica como arte'', ressalta. De acordo com ela, a cerâmica é uma arte rústica, e que apesar de ser produzida em série, o processo é ainda artesanal e com a dedicação do artista em cada peça.
As peças assinadas pela artista que estão expostas em Curitiba até o dia 23 de dezembro e também podem ser adquiridas por preços que variam de R$ 7 a R$ 1 mil reais.

Serviço:
- Exposição da artista plástica Kimi Nii, na loja Empório Santa Clara (Rua Fernando Simas, 71, Praça da Espanha), em Curitiba.

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