Depois de 33 anos, o artista plástico peruano H.Perea volta a Londrina com a exposição de 420 obras no Catuaí Shopping. Na primeira vez, ele veio a convite de personalidades ilustres da cidade - como Ney Braga (então ministro da Educação), José Richa, João Jabur, José Molina Garcia, Elias Daher, João Milanez e Walmor Macarini - que tiveram conhecimento da sua arte no exterior. ''Lembro com muito carinho da receptividade que tive aqui e a mostra, que durou 15 dias, foi um sucesso, em que vendi todos os 300 quadros que trouxe'', relembra o artista. Impressionado com o desenvolvimento atual de Londrina, conta que pretende ficar até a primeira quinzena de maio na cidade. E o sucesso parece que vai se repetir: em menos de uma semana já foram vendidos 42 quadros. O valor dos quadros expostos varia de R$ 150 a R$ 300 mil.
Filho de pai norte-americano e mãe inca, Perea passou sua infância em Cuzco, milenar cidade em plena Cordilheira dos Andes, onde ele descobriu sua vocação para a arte aos 7 anos. Ele começou fazendo artesanato em cobre, madeira e couro, que aprimorou com intensos estudos de desenho, pintura, escultura, tapeçaria e pirogravura nas escolas cuzquenhas. Posteriormente, dedicou-se à área de design para as mais importantes indústrias de móveis de Lima, sendo incentivado a intensificar seus estudos na Europa e nos Estados Unidos.
Do choque inicial com a cultura europeia - com suas escolas mais conservadoras diante das formas mais livres da arte cuzquenha -, Perea conseguiu absorver aquilo que considera melhor e hoje surpreende o mundo com sua arte original e que envolve os mais diferentes estilos. Entre as suas técnicas, utiliza tinta francesa, pó de ouro e pó de diamante (carbono de diamante), conseguindo efeitos que impressionam. ''Acho muito importante que o artista procure fazer coisas que não estão no mercado e os meus quadros são sempre exclusivos'', comenta Perea, que também trabalha sob encomenda.
Aos 73 anos, o artista esbanja disposição e ressalta a importância da humildade para se manter bem. Ele também defende que o artista deve privilegiar o contato direto com o seu público - oportunidade única para a troca de ideias e impressões. ''Cada um dos meus quadros tem um pouco da minha história e gosto de compartilhar isso com os outros. Na minha trajetória de vida, aprendi a importância de observar, escutar e aceitar as pessoas como elas são. A arte é algo pessoal, não há como obrigar uma pessoa a gostar de algo pré-determinado'', destaca.
Há 44 anos morando no Brasil, em um sítio na cidade de Dois Irmãos (RS), onde vive com a esposa Clairi de Carli - alemã criada no Rio Grande do Sul que o artista conheceu na Alemanha - e quatro filhos, Perea destaca o reconhecimento internacional do seu trabalho. Com obras na Cidade do Vaticano, no Museu do Louvre, no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, no Palácio Presidencial de Angola e em todas as embaixadas peruanas espalhadas pelo mundo, Perea acredita que esta é a melhor forma de dizer que a América Latina também é capaz de fazer arte de qualidade.
Entre as obras que são assinadas pelo artista estão retratos da cidade natal Cuzco, das vilas que ainda preservam a cultura inca, além de paisagens dos locais por onde passa em suas viagens. Do clássico ao hiperrealismo, da arte sacra ao abstrato, Perea deixa a marca indelével da sua sensibilidade e encanta os olhos de quem conhece o seu trabalho.
Serviço
Exposição 'A Arte do Peru através do Tempo', de H.Perea
Onde - Catuaí Shopping (na antiga loja Makenji - em frente à loja Adidas e ao Soft Tacos)
Quando - Até 15 de maio, das 10h às 22h

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