An­tes do pho­tos­hop, exis­tiu a fo­to­pin­tu­ra. Es­pé­cie de pre­cur­so­ra dos re­cur­sos tec­no­ló­gi­cos de ma­ni­pu­la­ção de ima­gens, a an­ti­ga téc­ni­ca ar­te­sa­nal de co­lo­rir e al­te­rar re­tra­tos 3x4 em pre­to e bran­co le­gou uma ri­ca his­tó­ria no Bra­sil até o sur­gi­men­to das má­qui­nas fo­to­grá­fi­cas co­lo­ri­das em mea­dos da dé­ca­da de 70.
  Re­des­co­ber­ta nos úl­ti­mos ­anos, a téc­ni­ca vi­rou ob­je­to de pes­qui­sa do fo­tó­gra­fo lon­dri­nen­se Wal­ter Ney, que inau­gu­rou a ex­po­si­ção ‘‘Fo­to­pin­tu­ras -Me­mó­rias ­Afetivas’’ na úl­ti­ma sex­ta-fei­ra na Ga­le­ria de Ar­tes do ­Sesc Lon­dri­na (Rua Fer­nan­do de No­ro­nha, 264). A mos­tra, que reú­ne 15 re­gis­tros fo­to­grá­fi­cos de pes­soas se­gu­ran­do fo­to­pin­tu­ras em mol­du­ras ori­gi­nais ou res­tau­ra­das, po­de­rá ser vi­si­ta­da até o dia 23 de ­maio.
  Ney con­ta que ini­ciou a pes­qui­sa há ­dois ­anos e ­saiu ­atrás de fo­to­pin­tu­ras vi­si­tan­do ca­sas em Lon­dri­na e ci­da­des da re­gião co­mo Cor­né­lio Pro­có­pio, Ro­lân­dia, Leó­po­lis e Con­goi­nhas. ‘‘Pro­cu­rei re­ti­rar as mol­du­ras com to­do o cui­da­do das pa­re­des das ca­sas, já que mui­tas ­eram de 30 ou 40 ­anos ­atrás. Fiz as fo­tos com as pes­soas em ­seus am­bien­tes e pre­ser­van­do a su­jei­ra e as tra­ças dos qua­dros. Du­ran­te o pro­ces­so, en­con­trei sem­pre uma car­ga emo­ti­va mui­to for­te por­que mui­tas pes­soas ­eram ór­fãos ou ­viúvas’’, re­ve­la.
  Ao lon­go das vi­si­tas, ele per­ce­beu que ini­cial­men­te os an­fi­triões – es­pe­cial­men­te de clas­ses so­ciais me­nos abas­ta­das – da­vam pou­co va­lor às fo­to­gra­fias an­ti­gas. ‘‘Mui­tas re­ne­ga­vam o pas­sa­do e não atri­buíam ne­nhu­ma im­por­tân­cia àque­las fo­tos. Dian­te de mi­nha pre­sen­ça, ­elas pas­sa­ram a ver aque­le acer­vo pes­soal com ou­tro ­olhar, prin­ci­pal­men­te quan­do eu ­lhes fa­la­va so­bre a me­mó­ria afe­ti­va con­ti­da na­que­las fo­tos ­antigas’’, con­ta.
  Ney lem­bra que ele pró­prio tra­ba­lhou com fo­to­pin­tu­ras nos ­anos 70 e iní­cio dos ­anos 80. ‘‘É uma ar­te po­pu­lar que es­tá em ex­tin­ção, em­bo­ra no Nor­des­te e até em Apa­re­ci­da do Nor­te (SP) se­ja co­mum ver fo­to­pin­tu­ras em ­santuários’’, sa­lien­ta.

● A técnica era muito usada para montar fotos de família e de casamentos, que eram coloridas com tinta a óleo

● Em Fortaleza (CE), Mestre Júlio difunde o ofício há 40 anos para filhos e aprendizes, além de realizar oficinas por todo o Brasil. Matém a tradição trabalhando tanto com a pintura à mão como atualizando a técnica com o photoshop e outros softwares


O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.

mockup