Visões do paraíso
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de fevereiro de 2007
Gabriela Germano<br> TV Press 
O paraíso que Gilberto Braga vai pintar na próxima novela das oito está muito longe do céu. Fica em Copacabana, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro. É repleto de belezas naturais que contrastam com a miséria e a decadência da pobreza e do turismo sexual. O autor vai mostrar tudo isso com uma boa pitada de glamour, como ele tanto gosta. ''Na ficção, é preciso glamourizar. Vou retratar a Copacabana de hoje, com todos os seus contrastes. Mas com estilo'', antecipa Gilberto. Em ''Paraíso Tropical'', novela que substitui ''Páginas da Vida'', na Globo, o autor mistura em seu ''jardim das delícias'' figuras de bom caráter com personagens gananciosos. Com características de um novelão clássico, ''Paraíso Tropical'' mostra a disputa entre um grande vilão e o mocinho, muito romance e a já conhecida história das irmãs gêmeas: uma boa e outra má. Como ingrediente adicional, apresenta ainda um casal de homossexuais bem resolvido. E, para movimentar o folhetim, Gilberto escala prostitutas no centro da trama, para apimentar a história que vai contar. ''Não vou mostrar o turismo sexual do jeito que é. Para isso existe o ''Jornal Nacional''. Mas a maneira como a prostituição vai aparecer na novela tem muito a ver com a realidade'', avisa.
''Paraíso Tropical'' é uma novela que pretende mostrar um Brasil de contrastes. O bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, é o melhor pano de fundo para contar uma história como essa?
Se é o melhor lugar não sei. Mas Copacabana é o lugar que eu estava com vontade de retratar. Vamos falar de turismo sexual e o bairro é um bom lugar para falar sobre o assunto. Sem contar que é uma ambientação diferente das que usei em minhas novelas anteriores. Ao lado do Corcovado, Copacabana é o lugar do Rio de Janeiro mais conhecido em todo o mundo. Não é à toa que as chamadas da novela começaram a ser feitas no exterior.
Suas novelas são sempre marcadas pelo glamour. Mas Copacabana não tem mais o charme dos anos 50, época em que você viveu no bairro. Vai mostrar a realidade atual do lugar e a prostituição como ela realmente acontece?
Vou mostrar a Copacabana atual, sim. Mas trabalho com glamourização. Não faço jornalismo. Acho que, na ficção, é preciso glamourizar um pouco. Quando fiz ''Pátria Minha'', havia uma favela na história. Mas ela não era muito feia, não. Gosto de ver trabalhos não glamourizados feitos pelos outros. Nas minhas novelas, prefiro enfeitar. Não vou mostrar a prostituição do jeito que é porque acho que para isso já existe o ''Jornal Nacional''. Dentro das possibilidades da ficção, no entanto, acredito que a prostituição mostrada na novela tem muito a ver com a nossa realidade.
Em uma entrevista, na época de ''Celebridade'', você disse que já tinha retratado diversas classes em suas novelas e as únicas que não reclamaram de algo foram os empresários corruptos e as prostitutas. Está aí o motivo para colocá-las no centro da história?
(Muitos risos) Foi por acaso que escolhi falar das prostitutas e não porque elas não me aborreceram. Mas realmente é uma loucura. Você coloca uma enfermeira na novela, vem a associação das enfermeiras reclamar. Você coloca determinado profissional na história, vem alguém dizer que não é daquele jeito. Todo mundo quer ver o seu representante perfeito na tevê, sem defeitos. Se for assim, como é que a gente vai fazer tramas? Ninguém pode errar na história?
Você já afirmou que é um ''autor de patota''. Mas a Malu Mader, sempre presente em suas novelas, ficou de fora desta vez. Como ficou a patota?
Não tinha uma personagem com a cara da Malu nesta novela e as pessoas vão perceber isso no decorrer da história. Mas ela vai ser protagonista da novela das seis e estou felicíssimo por isso. Tanto a Malu quanto a Cacau continuam na minha patota. Só que minha patota está aumentando, e com gente muito boa por sinal.
Na atual novela das oito, ''Páginas da Vida'', há um casal de homossexuais que não teve a trama desenvolvida. Em ''Paraíso Tropical'' a história do casal de homossexuais terá destaque?
Em ''Paraíso Tropical'' os homossexuais são coadjuvantes, não têm uma trama ou história própria. Tudo pode mudar no decorrer do caminho, mas no caso deles acho difícil. Porque quando a gente escreve uma novela, é armado um esquema. E só mudamos esse esquema se alguma coisa der errado. Aí pode ser que o casal gay vá tapar algum buraco de uma trama que não deu certo. Mas inicialmente eles apenas influem na história dos outros. Achei que era bacana mostrar um casal gay bem aceito por todos os outros personagens.


