VISÕES DE BRASÍLIA
Francelino França
De Londrina
As formas arquitetônicas que Oscar Niemeyer concebeu para Brasília continuam instigando e inspirando. Programada para ocupar um espaço inóspito, a capital federal foi construída em apenas 41 meses, com o suor de 30 mil candangos (operários). Arquitetonicamente, Brasília possui uma concepção arrojada com harmonia estrutural. Mas a capital brasileira existe, antes de tudo, pelo fruto do trabalho visionário de Oscar Niemeyer.
Para comemorar a consagração de Brasília como patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela UNESCO, 62 artistas plásticos mostram, através de uma exposição, Brasília vista por outros pontos de vista. Nessa exposição temática, os contornos da concepção arquitetônica do criador da cidade foram ressaltados, demonstrando que as curvas e a leveza ficaram impregnadas no inconsciente coletivo dos artistas. Inventor de linguagem plástica revolucionária, Niemeyer influenciou a maioria dos 62 trabalhos.
O naipe de pintores recorreu, basicamente, à geometria sensibilizada. Em muitas telas, Brasília aparece como cidade fantasma. O núcleo do poder brasileiro, talvez, não possua um rosto definido. O homem que realmente dá vida à cidade não foi ainda identificado.
A variação de linguagem das 62 obras de reconhecidos artistas brasileiros vai do elaborado ao singelo. Os traços de Glauco Rodrigues, Claudio Tozzi, Gustavo Rosa, Takashi Fukushima, Antônio Poteiro, Fernando Lopes, Roberto Feitosa, Maria Amélia Vieira, Aldemir Martins, Sergio Bopp, entre outros, retratam a visão multicolorida da paisagem que transcendeu ao concreto.
Em Brasília Patrimônio Cultural da Humanidade, Antonio Poteiro busca nas cores vibrantes a tradução da ingenuidade, enquanto Aldemir Martins elege o grafismo para compor sua tela. Glenio Bianquetti, por exemplo, uniu a ciranda de anônimos às formas do Palácio da Alvorada, compondo uma cerimônia ritualística de cores frias.
As formas concretas e o céu generoso dão o clima de fantasia e dramatismo na tela do artista plástico Glauco Rodrigues. Takashi Fukushima, por sua vez, viu no céu de Brasília o ponto de partida para sua criação, mas deu preferência ao dourado. Carlos Araújo foi um dos poucos pintores a escolher a figura de um candango como referencial pictórico, homenageando aqueles que ergueram Brasília. Muitos deles hoje fazem parte do contingente humano de quase 2 milhões de habitantes que povoam Brasília e as cidades satélites.
A exposição Brasília Patrimônio Cultural da Humanidade será aberta hoje, às 20 horas, no Museu de Arte de Londrina, Rua Sergipe, 640. A mostra fica até o dia 25 de março.A capital federal é tema de exposição que traz a Londrina obras de artistas consagrados
ReproduçãoBrasília, acrílico sobre tela, de Aldemir MartinsReproduçãoSetor Comercial Sul, acrílico sobre tela, de Takashi FukushimaReproduçãoBrasília: Horizonte Achado, óleo sobre eucatex preparado, de Cesar G.Villela





