VISITAS MONITORADAS - Por um olhar mais sensível
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segunda-feira, 07 de julho de 2014
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Uma imagem pode dizer mais que mil palavras e na exposição "Retratos Andinos", do fotógrafo Bruno Ferraro Weiss, fotografias em branco e preto de região Andina visitada por ele, de carro e de moto, em duas viagens feitas em 2012 e 2013, causam impacto e também guardam em si muitas histórias para contar. No dia 18 de junho, foi a vez de 22 alunos da Escola Municipal Reverendo Odilon Gonçalves Nocetti, de Londrina, conhecerem um pouco desse universo e se encantarem com as peculiaridades do contexto que envolveu cada um dos registros fotográficos. A mostra pode ser conferida até o dia 11 de julho no Showroom Yticon, dentro do Circuito A.Yoshii de Artes Visuais.
Explicado nos mínimos detalhes, o roteiro feito pelo fotógrafo que percorreu o Chile, a Argentina, a Bolívia e o Uruguai -, serviu também para reforçar o conhecimento geográfico das crianças. Do norte mais seco ao sul mais próximo do mar, características específicas de fauna e flora que puderam ser conferidas em cada uma das fotografias registradas. Do total de nove mil registros das duas viagens, 25 foram selecionadas para a exposição sob a curadoria do professor e fotógrafo Paulo César Boni.
Uma das imagens que mais chamaram a atenção dos alunos foi a do deserto de sal "Salar de Uyuni", na Bolívia, cuja superfície lembram as costuras de uma bola de futebol. Numa observação mais atenta, eles puderam perceber que ao fundo da imagem, no horizonte, parece haver uma ilusão ótica que cria a impressão de haver água no local. Curiosas, as crianças fizeram muitas perguntas sobre os locais visitados por ele, em um clima de bastante interação.
Ao contar que optou por utilizar uma câmera com lente de 50 milímetros, sem zoom, na maioria de suas fotografias, Ferraro explicou que fez dessa forma para valorizar "o olhar humano", como se o espectador estivesse vendo as imagens por si, como elas realmente são, sem qualquer efeito de zoom.
Na imagem registrada de um velho vagão de trem abandonado, linhas de perspectiva da fotografia provocam uma sensação de profundidade e causam a sensação do observador estar lá dentro.
Na fotografia da "Laguna Colorado", o fotógrafo brincou com a percepção e leitura visual das crianças ao questioná-las sobre qual seria a cor da lagoa a partir da imagem em preto e branco. Para surpresa geral, eles se surpreenderam ao ouvirem que a laguna é de tom vermelho, provavelmente devido à existência de plâncton e formações rochosas que favorecem esse tipo de coloração. Já as rochas que circundam a região exibem uma exuberância de cores na descrição de Ferraro: há montanhas na cor verde, amarela e vermelha, em um cenário de sonho.
Já no "Vale da Lua", ao norte do Chile, a formação do solo lembra a superfície lunar, com muita areia e pedra, dando a impressão de que alguém moldou pequenas montanhas no local. O "Glacial Perito Moreno", na cidade de El Calafate, na fronteira do Chile com a Argentina, também mereceu destaque do fotógrafo por sua grandiosidade e beleza, com paredes de gelo em tom azul escuro que chegam à altura de um prédio de 60 andares. Uma outra curiosidade: em El Calafate anoitece por volta das 23h30 (horário de Brasília).
Fotos de composição também fazem parte da mostra, como a imagem de uma bicicleta dentro de uma loja de fotografia da poética cidade de Colônia del Sacramento, no Uruguai. As figuras humanas registradas na viagem também ganham destaque, como a de uma mendiga boliviana vestida com roupas típicas.
A professora Marta Gomes valorizou a importância das aulas de campo, como a visita monitorada. "Considero essas oportunidades mais importantes que o conteúdo dado em sala. Isso serve para a formação de vida das crianças e essa interação com o artista é algo muito interessante; ele realmente conseguiu falar com a linguagem das crianças", destaca a educadora, que convidou o fotógrafo para participar de um trabalho complementar que será feito na escola sobre a mostra com a produção de textos em grupo e registro audiovisual.
"Participar desse tipo de visita monitorada também é uma forma de contribuir para o trabalho de formação de público e verificar na prática se a proposta da linguagem fotográfica utilizada deu certo. As crianças são muito curiosas e a cada visita surgem dúvidas diferentes", avalia Ferraro.

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