Visita do lobo é atração especial
ReproduçãoLobo-guará: espécie ameaçada de extinçãoOs 11.233 hectares do Caraça são um convite para aventureiros, botânicos, geólogos, espeleólogos e zoólogos. A melhor época para a visita é na primavera. Para se ter uma idéia, encontram-se ali 196 espécies e 42 famílias de plantas. Só de orquídeas, por exemplo, há mais de 200 tipos. Isso sem contar uma fauna rica, com mais de 200 espécies de aves, macacos, lagartos, jaguatiricas, onças, seriemas e lobos-guará. O santuário dispõe de um mapa com orientação para diversas caminhadas sem guia. Atenção: é proibido acampar no Caraça.
Alguns locais próximos do antigo colégio são obrigatórios de visita, como a Cascatinha, uma cachoeira, e Taboões, um conjunto de piscinas naturais quase à beira da estrada que leva ao santuário.
Bem mais distante, em direção ao rosto da serra, há várias lagoas e a Gruta da Bocaina. Outro destaque do roteiro é a Gruta do Inficionado, conhecida por experts como a caverna em quartizita mais profunda do Brasil, com 3.200 metros de galerias. Nesse caso, um guia é indispensável.
Quando a noite chega ao Caraça, os hóspedes e visitantes se reúnem no pátio de frente para a igreja. É comum encontrar ali, entre rostos tão diferentes, ex-alunos lazaristas que voltam frequentemente para lembrar a infância. O encontro noturno rende histórias, mas a ansiedade é voltada para a chegada dos lobos guará, uma espécie ameaçada de extinção.
Há mais de 30 anos, os uivos amedrontavam os estudantes. Uma vez, um dos padres notou que os animais reviravam o lixo do colégio e passou a atraí-los com restos de comida, deixados na escadaria da igreja. Hoje, a visita noturna dos lobos é sagrada. Guará, guará, exclamam todos para chamá-los. Quando o lobo aparece pela primeira vez, meio desconfiado, ele vem sozinho. Depois, surgem outros integrantes da alcatéia. É nesse momento que o homem comunga com a natureza. Uma comunhão que se repete constantemente no Caraça.





