CINEMA VISITA ÀS TERRAS VERMELHAS O roteirista José Luiz Peixoto veio a Londrina para conhecer a cidade enfocada no romance de Domingos Pellegrini Josoé de CarvalhoJosé Luiz Peixoto com Domingos Pellegrini: ‘‘Eu precisava vir respirar essas origens’’ Antônio Mariano Júnior De Londrina Não só boas intenções rondam o projeto de levar às telas o romance ‘‘Terra Vermelha’’, do escritor londrinense Domingos Pellegrini. As ações práticas também já começam a dar sinais de vida. Uma delas aconteceu ontem com a visita a Londrina do roteirista José Luiz Peixoto que terá como missão transformar as 511 páginas do livro em um filme de duas horas de duração. Acompanhado do escritor Domingos Pellegrini, da empresária Cloris de Souza Ferreira e do professor Cleber Tóffoli, ele visitou o Parque Estadual Mata do Godoy (que provavelmente servirá de locação para o filme) e também o Museu Histórico Padre Carlos Weiss. Peixoto ainda está em fase de elaboração do roteiro – o trabalho todo deve estar concluído em setembro. ‘‘Eu precisava vir respirar essas origens porque a terra vermelha é a protagonista do filme. E o filme vai prezar a consciência ecológica ao mesmo tempo que levanta a bola da memória’’ disse ele, acrescentando que esse apelo ecológico é que vai perfazer todas as outras situações contidas no livro. Quanto a Londrina, o roteirista destinou elogios hiperbólicos. ‘‘É uma grande metrópole. A modernidade do Brasil tem várias fisionomias e a de Londrina é a dos anos 90’’– analisa. Domingos Pellegrini está confiante no tratamento que seu romance, que conta a saga da colonização do Norte do Paraná com enfoque especial sobre a história de Londrina, terá. Aprovou ele, por exemplo, a idéia de ‘‘Terra Vermelha’’ ter enfoques mais universais do que regionais, ou seja, não ter Londrina como referência única. Por isso, a adaptação até agora imaginada está tendo o seu aval. ‘‘O livro tem vários conflitos sucessivos que não funcionam em filme. E ele (Peixoto) terá que fazer um esteio central’’– disse ele. A direção do filme ficará a cargo de Ruy Guerra. O cachê do diretor ainda está em negociação. Há duas propostas: uma de receber 10% do valor dos recursos captados; a outra prevê a redução dessa porcentagem pela metade com direito a participação na arrecadação do filme. ‘‘Terra Vermelha’’ trabalha com um orçamento de R$ 4 milhões, dos quais R$ 3 milhões deverão ser captados através das Leis do Audiovisual e Rouanet, cujas respostas oficiais devem ser dadas em abril. ‘‘Todas as etapas foram cumpridas então não vejo o porquê de a proposta não ser aprovada’’– diz Cloris Ferreira, responsável pela captação de recursos. O restante do dinheiro viria igualmente da iniciativa privada e também de uma conta corrente que deverá ser aberta para que aconteçam contribuições voluntárias. O orçamento total prevê também a feitura de uma minissérie que será, futuramente, negociada com alguma emissora de televisão. Segundo Cloris, não está descartada a possibilidade de se fazer uma co-parceria com outros países. A empresária se mostra bastante otimista com o projeto. Alguns contatos prévios com possíveis patrocinadores já começaram a ser feitos. Além disso, dois entusiastas de peso abarcaram o projeto. Um dele é o ex-governador Ney Braga que, com sua influência, trataria de convencer pessoas de bolsos abastados a investir no empreendimento. O outro é o governador Jaime Lerner que já marcou, para a segunda quinzena de abril, uma reunião com alguns empresários do Paraná. Ou seja, o otimismo de Cloris faz sentido. Por isso, é bem capaz mesmo que ‘‘Terra Vermelha’’ ganhe as telas em 2002, conforme previsão inicial.

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