Visão modernista e a pintura da solidão
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Quem estiver na capital paranaense até abril de 2011 terá um bom programa de férias, uma oportunidade de conhecer obras raras de artistas que gravaram seus nomes na história da arte paranaense e brasileira. As mostras ''John Graz'' e ''Silêncio e Solidão na Pintura de Leonor Botteri'', apresentam trabalhos modernistas e quadros expressionistas, respectivamente, no Museu Oscar Niemeyer.
O suíço John Graz (1891-1980) ganhou destaque no Brasil por sua carreira como artista plástico, designer e arquiteto. A mostra, com curadoria de Consuelo Cornelsen, ao lado de Sergio Pizzoli e Sergio Campos, exibe a visão modernista de Graz em 180 obras, confeccionadas a partir de 1920, quando ele desembarcou em terra tupiniquim.
As obras foram dispostas de forma que o público possa interagir com a sofisticação que Graz tinha ao compor o design de ambientes, com seus trabalhos com móveis ao centro e as pinturas ao redor. O mobiliário é composto por sofás e cômodas que notavelmente carregam a impressão modernista do artista.
A sala dispõe de quadros com estudos de murais e pinturas que valorizam a arquitetura brasileira, as viagens, festas, fauna e flora, as paisagens brasileiras, com técnicas de guache e grafite. A exposição conta também obras em litografia e escultura de Graz.
Outro destaque para o passeio das férias no museu é o melancólico trabalho de Leonor Botteri (1916-1998). A artista, que desenvolveu um estilo próprio a partir dos passos do mestre Guido Viaro, é bastante reconhecida não somente por suas obras intrigantes, mas também por ter conquistado inserção no cenário da arte paranaense e curitibana dos anos 40, quando era difícil uma mulher ganhar notoriedade nesta seara.
Os trabalhos instrospectivos de Leonor estão ''situados entre o expressionismo e a pintura metafísica'', alguns ''roçando o impressionismo'', de acordo com a curadora da mostra, Maria José Justino. No total são 70 obras, que exibem tons escuros e enfatizam momentos de certa forma melancólicos.
A maioria das obras confeccionadas por Leonor carrega uma poética quase sombria, como nos autorretratos, que destacam bastante a melancolia por meio de grandes olhos. A artista, que costumava trabalhar à luz de gás, normalmente à noite, também se dedicava bastante às naturezas-mortas. Uma viagem ao silêncio e à reflexão.
Serviço:
- Mostras John Graz e Silêncio e Solidão na Pintura de Leonor Botteri
Quando - Até 3 de abril de 2011, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Onde - Museu Oscar Niemeyer (R. Marechal Hermes, 999), em Curitiba
Quanto - R$ 4 e R$ 2 (estudantes identificados). Crianças de até 12 anos, maiores de 60 anos e estudantes de escolas públicas, do ensino médio e fundamental, pré-agendados, não pagam).
Informações - (41) 3350-4400 e pelo site www.museuoscarniemeyer.org.br


