VISÃO ECOLÓGICA - Aprendendo a ser ecosustentável
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
O conceito de ecosustentabilidade até então era coisa de livro sobre ecologia. Mas desde o começo do ano o que era uma definição conceitual pelo bem do meio ambiente passou a ser uma série de ações práticas envolvendo alunos do ensino fundamental do Colégio Sesi de Londrina, que também estão se estendendo para a comunidade externa.
Para os alunos do 3º ano do fundamental dos turnos matutino e vespertino ficou a responsabilidade de pesquisar sobre a necessidade de reduzir o uso de plástico no nosso dia a dia, propondo a não utilização dos copos descartáveis (sendo que os usados para o café não podem ser mais reutilizados por liberarem uma toxina prejudicial). Toda a escola está passando por um processo radical de mudança de hábito inclusive os alunos do ensino médio. A ideia é abolir totalmente o uso de copos descartáveis na escola e canecas de alumínio já passaram a ser disponibilizadas para os alunos menores na hora do lanche. Na sala dos professores, xícaras de louça para o chá ou café. E todos são solicitados a trazerem garrafas plásticas para o armazenamento de água.
Para estimular o uso das garrafas entre os alunos do ensino médio, ainda um pouco resistentes à mudança, foram confeccionadas garrafas especiais e os alunos menores deverão ganhar modelos personalizados, feitos com a economia obtida com o fim da compra dos copos descartáveis.
A gente sempre soube da importância de não usar os copos descartáveis, mas ainda não tinha assimilado de forma prática esse conceito. Com o projeto, dá até uma sensação de peso de consciência quando pegamos um copo descartável, comentou a professora Lúcia Aparecida Vitoretti, lembrando que 100 toneladas de plástico reciclável correspondem a uma tonelada de petróleo (um recurso natural não renovável) que deixa de ser retirada do meio ambiente.
Na sala de aula, o trabalho já está gerando bons frutos nas famílias dos alunos. Um bom exemplo é o caso da aluna Giovanna Caroline dos Santos, 9 anos, que, ao comentar com os familiares sobre a importância de evitar o uso dos copos descartáveis, conseguiu influenciar sua madrinha a deixar de usá-los entre os funcionários de sua pastelaria.
O trabalho de conscientização sobre o tema já se estendeu aos funcionários da unidade de atendimento do Sesi e às pessoas atendidas no local. O próximo passo é levar a bandeira da ecosustentabilidade aos 541 funcionários da Sercomtel, o que devem acontecer em agosto. A empresa é parceira da escola no projeto Sou ecosustentável e não descartável.
Outra iniciativa inovadora da escola é a construção de móveis feitos com garrafas PET pelos 46 alunos da 2ªsérie do fundamental. A inspiração surgiu a partir do conhecimento pela internet da técnica desenvolvida pelo professor Sebastião Feijó, do Rio de Janeiro. No começo a ideia causou um certo estranhamento nos alunos, mas agora eles não escondem o orgulho pelas suas obras de arte. Uma cama de solteiro (feita com 462 garrafas), um sofá de três lugares (feito com 403 garrafas) e três pufes (com 32 garrafas para cada um) já estão prontos e os pequenos artesãos agora vão fazer uma mesa com cadeiras, cortinas, um abajur e vassouras. Tudo isso só com PET.
A professora Gisele Cristine Moro Hesnauer, responsável pelo projeto, explicou que é necessário o encaixe de duas garrafas PET para construir uma célula-base para a confecção dos móveis de plástico. Com a célula-base pronta, a junção de várias células resulta no que eles chamam de módulos e vários módulos unidos, um bloco. Para dar resistência aos móveis, as garrafas ainda são entrelaçadas com fio de nylon e fita adesiva. Para essa tarefa, que exige mais força, os alunos contam com o apoio do funcionário Marcelo.
As atividades de marcenaria acontecem uma vez por semana e estão sendo uma grande atração. No começo achei meio estranha essa história de móveis de plástico, mas vi que dá certo, comentou a aluna Luiza Sales Lima, 8 anos. Sua colega Mariana Mangili, 7 anos, também aprovou a iniciativa: Parecia que ia ser difícil confeccionar os móveis com as garrafas, mas foi ficando fácil e divertido. E além disso vamos ajudar outras pessoas.
O trabalho diferenciado também tem um enfoque social. Eles estão se preparando para ensinar a técnica a um grupo de alunos internos do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Com a autorização judicial já liberada, a perspectiva é ensinar uma atividade que possa gerar renda para os jovens. É uma forma de contribuirmos para a ressocialização deles, ressaltou a coordenadora Priscilla Maria Marques da Silva.
Ela também informou que os móveis de PET serão doados a entidades de caridade. O projeto de ecosustentabilidade está inscrito no Prêmio Construindo a Nação, do Instituto Cidadania Brasil, que avalia projetos escolares em todo território nacional voltados à cidadania. Em setembro, os trabalhos realizados incluindo jogos feitos com sucatas, pesquisas sobre animais em extinção, sistema solar e recursos naturais serão expostos na feira científica da escola.


