Virtuoso violinista das calçadas
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de julho de 1998
Zeca Corrêa Leite 
DivulgaçãoO polonês Polak não troca as calçadas por nada nem pelas festas mais chiques do mundoQuatro CDs gravados, uma história recheada de lances como o amor fulminante por uma brasileira e sessões musicais em elegantes restaurantes americanos. O polonês Polak, 58 anos, aos 13 passou a estudar violino e transformou o arco e as cordas em profissão. O violinista nunca tocou com orquestras sinfônicas, mas participou das formações de conjuntos que animam finos restaurantes. Hoje nem esses ambientes ele frequenta mais. Polak é o artista das calçadas.
É comum encontrá-lo nos calçadões de Curitiba levando seu espetáculo. Toco de três a quatro horas por dia, calcula, atualmente sediado na capital. Faz seus recitais para platéias variadas, mas com um gosto mais ou menos idêntico. Daí que o tema do filme Titanic atinge direto os corações. Todos gostam. É minha preferida no momento.
Polak rodou mundo tocando. Andou pela Alemanha, Itália, Espanha, Portugal antes de visitar os países da América do Sul. Aliás, todos os países. Essas rolanças pelo mundo propiciaram ao violinista oportunidades como a de tocar no conjunto que fez a música de fundo no Buffet França, em São Paulo, onde o Imperador Hakihito jantou; nas finas casas noturnas de Nova York teve como platéia desde Pavarotti ao ator Kojac, Julio Iglesias, Frank Sinatra.
Eram bares e restaurantes que embora estivessem no topo da classe A, abrigavam também aqueles eternos e chatos bebuns. Entre os desmancha-prazeres e a população pacata das ruas, não pensa duas vezes. A rua é meu Teatro Municipal. Não troco por nenhuma das festas mais chiques do mundo, afirma.
No seu palco dourado falta espaço para o clássico. O clássico é a raiz da execução de qualquer música, isso não sai da pessoa. É a formação que a gente tem. Mas o popular é o que chega ao povo, então é minha opção.
O próprio artista se surpreende com seu virtuosismo. O arranjo que fez para as variações de Tico-tico no Fubá são dignas de aplauso. Exige muito da gente, afirma. O improviso criado sobre o tema de A Pantera Cor de Rosa assustou-o pela beleza. Ficou muito interessante. Por todas essas alegrias e emoções, Polak é imensamente grato ao instrumento que escolheu para traduzir emoções: Vou morrer tocando violino.


