Virtuosismo em primeiro lugar
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sexta-feira, 19 de março de 1999
Telma Elorza 
O pianista paraibano Sibélius Donato Tenório está no Paraná para uma série de apresentações em diversas cidades, promovendo o lançamento de seu primeiro CD, Divagações. Sibélius se apresentou ontem, em Londrina; e mostra todo seu talento hoje, às 20 horas, no Centro Espírita Alan Kardec, em Cambé; e segunda-feira, no mesmo horário, no Teatro Calil Haddad, em Maringá. As apresentações contam com a participação especial da médium Marisa Cajado. A promoção é do Núcleo Espírita Universitário.
O pianista, aos 25 anos, é um destes casos especiais de genialidade. Nascido prematuro, aos seis meses e meio de gestação, Sibélius teve problemas neurológicos. Segundo a mãe dele, Genalda Donato Tenório, até os três anos e dez meses de idade Sibélius não andava nem falava e ficava sentado apenas com ajuda. O pai tocava piano e ele adorava ouvir, sempre olhando para as mãozinhas. Segundo Genalda, na véspera de uma viagem para Recife - onde os pais iriam levar o menino para consultar neurologistas - Sibélius levantou, andou e falou. E fez mais. Ele sentou ao piano e tocou duas músicas. A primeira foi Assum/Açum Preto, de Luiz Gonzaga, uma das preferidas do pai. A segunda foi a Sinfonia 40, de Beethoven, conta.
A genialidade do menino ao piano deixou os pais surpresos. Principalmente porque os médicos não encontram explicações para o caso. Sibélius não conseguiu passar da 5ª série do 1º grau e nunca teve aulas formais de piano. Nós contratamos professores de música, procuramos conservatórios, mas ninguém conseguia dar aulas a ele. Rapidamente, ele superava tudo o que tentavam ensinar, conta.
Até hoje, o pianista não lê nenhum tipo de partitura, embora faça composições e já tenha mais de 135 registradas. Quando compõe, parece que a música vem toda de uma vez. Aí ele senta ao teclado, executa e grava em um disquete. Com ajuda do computador, transforma a música em partitura. Mas ele mesmo não a lê, diz a mãe. O pianista faz apresentações desde os 14 anos. Em uma apresentação no Teatro da Paz, em Belém, alguns músicos da Orquestra Sinfônica do Estado ficaram admirados com a técnica do Sibélius, afirma.
Segundo ela, a explicação para o caso de seu filho está na doutrina espírita. Chico Xavier nos disse, em uma das visitas que fizemos a ele, que meu filho é a reencarnação do músico e compositor finladês Jean Sibélius, conta. E o nome do rapaz não seria uma coincidência. Meu marido sempre foi apaixonado por música e meus dois filhos mais velhos não se interessavam pelo assunto. Quando fiquei grávida de Sibélius, meu marido me disse que este seria apaixonado por música. E que iria lhe dar o nome de um compositor. Procurou várias biografias até encontrar a de Jean Sibélius, explica.
Doutrinas à parte, o que importa é Sibélius Tenório é um exímio pianista. Embora não estude música, passa os dias tocando. A vida dele é música, diz a mãe. Entre seus compositores preferidos estão clássicos como Chopin, Mozart, Ernesto Nazaré e Francisco Mignone, além de Tom Jobim, João Gilberto e Chico Buarque. Seu CD, uma produção independente lançada no ano passado, reúne valsas, chorinhos e canções, todas de sua composição.
No Paraná, Sibélius Tenório estará se apresentando também no Teatro Municipal de Campo Mourão, na próxima terça-feira; no Teatro Municipal, em Cascavel, na quinta; no Auditório do Recanto Parque Hotel, em Foz, na sexta-feira; e, no sábado, no Teatro Municipal de Pato Branco.


