O Festival de Música de Londrina (FML) traz hoje muito improviso nos mais variados estilos – música clássica, medieval, jazz e choro. A programação começa às 12 horas, com a Orquestra Jovem de Cordas da Universidade Federal do Pará (UFPA) se apresentando no Calçadão (em frente ao Banco do Brasil). No repertório, erudito europeu e nacional – ‘‘Concerto de Brandemburgo nº 3’’ de Bach, ‘‘Concerto em Sol Maior para a Viola e Orquestra’’ de Teleman (outro compositor barroco, como Bach), ‘‘Divertimento em Sol Maior para Cordas’’ de Mozart, ‘‘Scherzo’’ de Webster, ‘‘Sinfonieta’’ de H. Genzmer, e ‘‘Quatro Momentos nº 3’’ de Ermani Aguiar............. O programa prevê três solistas: a viola de Márcio Costa na obra de Bach, e o violoncelo de Lohana Gomes e Karla Karolina em ‘‘Scherzo’’.
No fim da tarde, a partir das 18 horas, o público poderá conferir uma viagem pelas vozes e instrumentos da Idade Média. A Oficina de Música Antiga, ministrada pelo músico londrinense Elimar Machado, apresenta o resultado de uma semana de interação entre 32 estudantes. O grupo Neuma Música Antiga se une aos alunos para apresentar um repertório formado por cantos gregorianos, música instrumental do século 14 (stampitta) e canções de teor profano, como a canção ‘‘Separatita’’.
Elimar conta que muitos dos experimentos da música contemporânea já tinham sido utlizados pelos músicos medievais. Um exemplo? A música serial.........., que no século 20 desencadeou no dodecafonismo de Schoenberg, já havia sido explorada em alguns modelos da época. A apresentação será na Capela da Catedral Metropolitana de Londrina.
À noite, dois gêneros que alternam extremos de vivacidade e tristeza. O jazz dá o tom no Cine-Teatro Ouro Verde a partir das 20h30. Os professores da Oficina de Improvisação e Performance na MPB apresentam repertório recheado de composições próprias e standards da música popular: ‘‘Ave Maria’’ de Edu Lobo, ‘‘Chorando no Alto’’, ‘‘Tabawana Bolero’’ e ‘‘Choro Moreno’’ de Mané Silveira, ‘‘Simone’’ de Frank Foster, ‘‘Evidence’’ de Thelonious Monk, ‘‘Débora’’ de Rafael dos Santos, ‘‘Boato’’ de João Roberto Kelly e ‘‘Feitiço da Lua’’ de Noel Rosa. Os professores são Rafael dos Santos (piano), Mané Silveira (sax), Djalma Lima (guitarra), Jorge Oscar (baixo) e Sérgio Reze (bateria).
Todos os cinco já são velhos conhecidos do público do Festival. Sempre que vêm para ministrar cursos acabam se juntando e apresentando o melhor do estilo que distinguiu a música americana das demais no século passado.
O baixista Jorge Oscar aproveita para explicar a presença do samba e do foxtrote no programa: ‘‘Não é só a música americana que poderemos considerar como jazz. A essência desse estilo é a improvisação’’. O baterista Sérgio Reze lembra que estamos vivendo uma era comandada pelo visual, ‘‘o que pode ser comprovado quando você vê os videoclipes. As pessoas prestam mais atenção nas imagens e não na música. Talvez, o ideal seria que voltássemos a ouvir a música com os olhos fechados’’.
O pianista e compositor Rafael Santos também concorda, mas observa que alguns alunos mostraram-se afinados com a arte do improviso: ‘‘Dá para perceber que se você os estimula eles aprendem rápido. Só que precisamos ressaltar a bagagem teórica, pois no improviso, 20% é teoria musical e 80% é técnica, prática’’.
Como é de costume em apresentações de jazz, os músicos fogem do roteiro e acabam tocando algo não previsto. Alguma surpresa para hoje à noite? Jorge Oscar lembra que shows em teatro são mais formais, têm de respeitar o público e acabam seguindo o roteiro programado. Mas só pelos standards selecionados para a apresentação, já vale o ingresso.
Um pouco mais tarde, às 22h30, no Teatro Zaqueu de Melo, os professores da oficina de choro apresentam obras de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth e Radamés Gnatalli, entre outros. A formação conta com Joel Nascimento (bandolim), Luiz Otávio Braga (violão de sete cordas), Josimar Carneiro (violão de sete cordas), Jaime Vignoli (cavaquinho) e Oscar Bolão (percussão).

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