Chamem de proeza, façanha ou qualquer sinômimo que estiver à mão. É o que define a trajetória do duo de violões Duofel, cuja celebração pelas duas décadas de atuação culmina esta semana com o lançamento do CD ‘‘20’’ pela gravadora Trama.
O Duofel conta a saga de todos os artistas brasileiros mergulhados na música instrumental, uma história digna de heróis, onde os vilões costumam ser as gravadoras que os rejeitam e a mídia que os ignora. O novo disco de Fernando Melo (um alagoano de 44 anos) e Luiz Bueno (paulistano de 49 anos) sumariza essa aventura.
Reúne 13 faixas – da primeira composição oficial (‘‘Lamento Noturno’’) a músicas de seu último álbum (‘‘Atenciosamente, Duofel’’). Traz a gravação do show comemorativo realizado no Teatro Municipal de São Paulo, em fevereiro do ano passado, com participação de Hermeto Pascoal e Oswaldinho do Acordeon.
Além de ‘‘20’’, o projeto festivo incluiu as gravações de ‘‘Atenciosamente Duofel’’ (lançado em 99) e dos discos-solo de Fernando e Luiz, intitulados respectivamente ‘‘Música’’ e ‘‘Forró de Violão’’. A escolha do repertório de ‘‘20’’ foi baseada nas composições mais importantes de cada fase do duo, o que se revelou um notável panorama de suas diversas experiências musicais seja em incursões pelo samba funkeado de ‘‘Pede Moleque!’’ e pelo sotaque espanhol de ‘‘Do Outro Lado do Oceano’’ à exploração de novas fronteiras estéticas em ‘‘Fax para Uakti’’, ‘‘Gismontada’’ e ‘‘Surfando no Trem’’.
A música do Duofel já foi definida como uma simbiose do erudito com o popular. Em duas décadas, o duo conquistou prêmios e a admiração de vários músicos internacionais de ponta, entre eles o papa do free jazz Ornette Coleman. No começo, os dois violonistas acompanharam artistas de música popular como Tetê Espíndola, Belchior, Zé Geraldo, Almir Sater, Chico de Abreu e Tato Fischer.
O disco de estréia, ‘‘Duofel Disco Mix’’, foi gravado em 1978 com produção independente. No ano seguinte, gravaram ‘‘As Cores do Brasil’’, a convite do produtor alemão Rainer Skibb, que ficou impressionando ao ver Fernando e Luiz durante um show na França no qual acompanhavam a cantora Tetê Espíndola. O duo entusiasmou também o saxofonista Ornette Coleman, que cedeu seu estúdio particular em Nova York para as gravações do disco.
O terceiro trabalho, ‘‘Duofel’’, viria em 1993 trazendo participação especial de Oswaldinho do Acordeon. No ano seguinte, ‘‘Espelho das Águas – Ao Vivo’’ destacava nos créditos a colaboração do percussionista indiano Baddal Roy, que já tocara com Miles Davis. Em 1996, foi a vez de Hermeto Paschoal assinar os arranjos de todas as faixas de ‘‘Kids of Brazil’’, o que lhe garantiu o Prêmio Sharp de melhor disco instrumental da temporada.
No ano passado, já dentro da celebração dos 20 anos, lançaram ‘‘Atenciosamente, Duofel’’ pela Trama. Com prestígio crescente, a dupla passou a excursionar com frequência ao exterior. No final desse mês, voltam à França para se apresentar no 12º Festival Internacional de Guitarristas’’, que contará com a presença de alguns dos músicos mais renomados do mundo. Antes, tocam em Curitiba nos dias 24 e 25 no Original Café. A seguir, leia entrevista com Fernando Melo.

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