Virtudes ocultas
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de outubro de 2011
Márcio Maio <br> TV Press 
Marjorie Estiano parece disposta a mudar sua imagem construída, involuntariamente, a partir de personagens comportadas e certinhas na tevê, como a generosa Manuela de ''A Vida da Gente''. A atriz já se aventurou interpretando a prostituta Christine no espetáculo ''Inverno da Luz Vermelha'' e é a capa da revista ''VIP'' de outubro, encarnando uma dona de casa sensual no ensaio. Um movimento que mostra o quanto deseja mostrar que, como ela mesma diz, não é ''tão meiga assim''. ''Não quero me encaixar apenas em um ou outro rótulo. Posso desempenhar papéis próximos de mim e também completamente distantes da minha realidade. É exatamente para isso que um ator estuda'', atesta a atriz de 29 anos.
No folhetim das seis da Globo, Marjorie vive uma mulher que cresceu vendo a mãe bajular Ana, a irmã tenista, personagem de Fernanda Vasconcellos. Após sofrer um grave acidente de carro que deixa a atleta em coma por quatro anos, Manu passa a criar a sobrinha recém-nascida e se envolve com o pai da criança, o mocinho Rodrigo, de Rafael Cardoso. ''Uma coisa que eu acho bacana nessa trama é que são duas irmãs boas, corretas, não tem aquela que é vilã. E acho que não vai acontecer no futuro também, porque não vejo espaço para isso dentro do que já foi escrito'', analisa.
Você não fazia novela há dois anos, quando encerrou ''Caminho das Índias''. O que a fez dar essa pausa e, agora, voltar ao ar nessa trama?
Eu queria me dedicar ao teatro. Estava longe dos palcos há seis anos, desde que comecei a fazer televisão. Foi um período que aproveitei para exercitar traços diferentes de atuação e que me fez bem. Como sou contratada da emissora, sabia que logo eu seria chamada para um trabalho novo, mas não fiquei pensando nisso. Até li algumas informações associando meu nome à ''Fina Estampa'', mas nada chegou a mim. Até que o Jayme (Monjardim, diretor) me chamou para ''A Vida da Gente'', um convite que me agradou demais.
O que chamou sua atenção nesse trabalho?
Esse tema familiar me seduz muito como espectadora. Vejo as relações entre parentes como as mais intensas. Normalmente, conflitos entre duas irmãs, pai e filho, mãe e filha, enfim, são os que costumam me interessar mais. Nessa novela, isso é muito bem explorado.
Na história, as duas irmãs se envolvem com o mesmo homem -em épocas diferentes - e a Manuela cria como filha a sobrinha. Existe alguma chance de sua personagem se transformar em vilã?
Eu acho que nenhuma delas vai virar vilã. Imagino que o público vá tomar seu partido, mas não vejo abertura para grandes mudanças no caráter de ambas.
Sua imagem é sempre mostrada na tevê sem toques de sensualidade, até um pouco comportada. Sente vontade de se mostrar de outro jeito em uma novela?
Sim. E não só na televisão. Encenar ''Inverno da Luz Vermelha'' teve essa função para mim. Até então, eu não tinha feito uma personagem mais sexual. E depois disso me chamaram para fazer a Letícia, na minissérie ''Amor em 4 Atos''. Esses trabalhos vão permitindo que os outros possam ver você de uma forma diferente. É muito difícil alguém que tem predisposição para viver vilões ser chamado, de repente, para interpretar um mocinho. Se tiver interesse em fazer coisas diferentes, você precisa mostrar que aquilo também faz parte do seu repertório.
O que você acha que fez com que as pessoas associassem sua imagem à de uma mulher mais comportada na tevê?
Muita gente me diz que eu tenho 'carinha de meiga'. Até já me perguntaram em entrevistas se eu me considero meiga, mas confesso que não me definiria assim. O que eu mais desejo é mostrar que eu não me encaixo em um ou outro rótulo. Posso desempenhar desde papéis próximos a mim - e que muitas vezes são os mais difíceis -, até outros completamente distantes da minha realidade. É exatamente para isso que um ator estuda.
Além da carreira de atriz, você também investe na música. Quais são seus planos nessa área?
O leque das coisas que eu tenho paixão em fazer como atriz é grande. Tem o teatro, a tevê e o cinema. Acabei privilegiando o teatro, que eu não fazia há seis anos, e isso automaticamente deixou para frente os planos de me dedicar a um novo CD. Minha intenção é continuar a pesquisa de repertório e, assim que possível, me empenhar para trazer novidades musicais para minha carreira. Mas não quero estipular datas porque não tenho ideia de quando vou conseguir me organizar para isso.
''A Vida da Gente'' - Globo - Segunda a sábado, às 18h.


